Destaque

Comunicado para autoridades ambientais e MPF, FUNAI

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Nós movimento Munduruku Iperegayu comunicamos, com muita dor e vergonha, que a aldeia PV na Terra Indígena Munduruku não existe mais. O garimpo invadiu tudo corrompeu com doenças nossos parentes e matou a floresta e as roças, trazendo doenças, prostituição, uso de álcool entre os homens e mulheres e drogas entre os mais jovens.

O Garimpo é controlado pelos pariwat  (não indígenas) que pagam parentes para vigiar suas máquinas. A aldeia PV é hoje o principal ponto de doenças e invasões do nosso território, lá tudo é controlado pelos pariwat, a pista de pouso que existia para que o atendimento a saúde pudesse chegar até os moradores, foi mudada de lugar, porque atrapalhava o garimpo.Os pariwat estão armados e deram armas para os parentes defenderem eles.

Muitas vezes o ICMBio, a Funai, o MPF e muitas autoridades foram alertadas sobre esses problemas, mas preferiram ficar nos escritórios ou fazendo reunião. Nada foi feito.

A assembleia do povo munduruku de 2017 decidiu que todos os garimpos deveriam ser fechados. Os caciques do rio das Tropas já não sabem a quem pedir para tirar os garimpeiros.

Nada foi feito e agora os pariwat junto com indígenas gananciosos e doentes querem invadir o rio Kadiridi para abrir novo garimpo.

Por causa desse desespero do nosso povo, nós guerreiros e guerreiras do Movimentos Iperegayu, decidimos:

  • Fazer uma fiscalização contra garimpos e outros invasores no rio Kadiridi, rio das Tropas indo do waretodi até o rio Tapajós
  • Prender e Expulsar todo pariwat da nossa terra
  • Destruir todas as máquinas do garimpo no PV
  • Denunciar os órgãos responsáveis pela proteção das nossas terras por não fazerem nada.

Jacareacanga, 17 de Janeiro de 2018

Movimento Ipereg ayu

Sawe!!!

 

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Garimpeiros procuram ouro no rio Kadiridi, dentro da Terra Indígena Munduruku

 

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Destaque

Comunicado: Tecendo Resistências e Encontrando Mundos em Defesa da Vida e do Território

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A 13 de dezembro de 2017.

 

Aos povos indígenas do Brasil e do México

Aos povos e movimentos em luta no mundo

À sociedade civil internacional

Nós somos povos originários dessa terra que hoje chamam de Brasil e México. Graças a viagem da comissão do povo Munduruku por Chiapas nos encontramos mais uma vez em nossas lutas.

Compartilhando nossas dores, percebemos que seguimos um mesmo objetivo: lutar por uma nova vida para toda a humanidade! Nós, como povos originários, como povos da terra, lutamos não somente por nós, mas por todos.

Não somos o que os maus governos brasileiro e mexicano dizem que somos: ignorantes, ingênuos e incapazes! Já tomamos muitos golpes desses governos. Somos povos organizados e articulados juntando nossas esperanças para seguirmos mais fortes! Todos os nossos movimentos estão conquistando vitórias que nos fortalecem e estamos avançando! Chegou a hora do florescimento dos povos!!

Somos os guardiões da floresta, dos rios, do território e da vida. O mundo dos brancos está morrendo, vemos que já está em crise e acreditamos que nossos mundos juntos, os mundos dos povos, podem construir alternativas para afrontar essa crise.

Esse sistema partidário, racista, opressor, ambicioso e capitalista, não nos representa! Lutamos para nos governarmos, de acordo com a nossa cultura, tradição, com a sabedoria dos nossos antepassados. Estamos organizados para defender e manter o nosso território livre das ameaças dos megaprojetos e dos projetos de morte do governo e essa luta nos mantém conscientes e unidos no caminho da nossa autonomia.

Somos diferentes povos, estamos distantes geograficamente, mas somos do mesmo sangue. O amor à vida, ao território, às nossas filhas e filhos, nos une! Vamos continuar resistindo para existir! Lutaremos incansavelmente até a última gota do nosso sangue pelo nosso território e pela vida!

Fazemos um chamado de solidariedade para a nossa luta, principalmente nos seguintes pontos:

  • Repudiamos as mudanças nas legislações mexicanas e brasileiras para permitir e facilitar a exploração dos elementos naturais e a expropriação dos territórios dos povos indígenas e comunidades camponesas!
  • Exigimos a desmilitarização dos nossos territórios!
  • Exigimos o respeito ao direito à terra dos povos indígenas e das comunidades camponesas!
  • Exigimos o respeito ao exercício da nossa autodeterminação com a criação de governos próprios e autonomias!
  • Exigimos a paralisação de todos os megaprojetos de morte, presentes e futuros, no nosso território!
  • Exigimos o respeito à vida e justiça pelos assassinatos e desaparições forçadas dos parentes indígenas e de todos os povos que estão em luta!
  • Exigimos a responsabilização pelo massacre de Acteal, um crime de lesa humanidade!
  • Exigimos atenção imediata à emergência humanitária pelo deslocamento forçado de mais de 5.000 pessoas onde se encontra o povo Tsoltsil, nos municípios de Chenaló e Chalchihuitán, em Chiapas!

Finalmente, renovamos o convite a todos os povos e movimentos em luta para que nos unamos, desde abaixo e à esquerda, para construirmos estratégias conjuntas de resistência desde a América Latina e com todo o mundo!

Desde Chiapas/México até o Pará/Brasil, gritamos já basta a exploração dos nossos territórios!

 

Movimiento Indígena del Pueblo Creyente Zoque en Defensa de La Vida y la Tierra – Zodevite

Organización de la Sociedad Civil Las Abejas de Acteal

Movimiento en Defensa de la Vida y el Territorio – Modevite/Chilón e Sitalá

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de la Casas A.C.

Centro de Derechos Indígenas, A.C.

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

Associação Indígena Pariri

Destaque

Comunicado: Tejiendo Resistencias y Encontrando Mundos en Defensa de la Vida y del Territorio

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A 13 de diciembre de 2017.

A los pueblos indígenas de Brasil y de México

A los pueblos y movimientos en lucha del mundo

A la sociedad civil internacional

Nosotras y nosotros somos pueblos originarios de estas tierras a que hoy llaman Brasil y México. Gracias al viaje de la comisión del pueblo Munduruku por el estado de Chiapas logramos encontrarnos una vez más en nuestras luchas.

Compartiendo nuestros dolores, vimos que seguimos un mismo objetivo: ¡luchar por una nueva vida para toda la humanidad! Nosotras y nosotros, como pueblos originarios, como pueblos de la tierra, luchamos no solamente por nuestros pueblos, sino por todos.

No somos lo que los malos gobiernos brasileños y mexicanos dicen que somos: ignorantes, ingenuos e incapaces. Ya hemos llevado muchos golpes de estos gobiernos. Somos pueblos organizados y estamos juntando nuestras fuerzas para seguir más fuertes. Todos nuestros movimientos están conquistando victorias que nos fortalecen y estamos avanzando. ¡Ha llegado la hora del florecimiento de los pueblos!!

Somos los guardianes de los bosques, de los ríos, del territorio, de la vida. El mundo de los blancos se está muriendo, vemos que ya está en una gran crisis y creemos que nuestros mundos juntos, los mundos de los pueblos, pueden construir alternativas para afrontarla.

¡Este sistema partidista, racista, opresor, ambicioso y capitalista no nos representa! Luchamos para gobernarnos, conforme nuestra cultura, tradición y con la sabiduría de nuestros ancestros. Estamos organizados para defender y mantener nuestro territorio libre de las amenazas de los megaproyectos extractivos y de otros proyectos de muerte del gobierno y esta lucha nos mantiene conscientes y unidos en el camino de nuestra autonomía.

Somos diferentes pueblos, estamos distantes geográficamente, pero tenemos la misma sangre. ¡El amor a la vida, al territorio, a nuestros hijos e hijas, nos une! ¡Vamos a continuar resistiendo para existir! ¡Lucharemos incansablemente, hasta la última gota de nuestra sangre, por nuestro territorio y por la vida!

Hacemos un llamado a la solidaridad para nuestra lucha, principalmente en los siguientes puntos:

  • ¡Rechazamos los cambios en las leyes mexicanas y brasileñas que permiten y facilitan la explotación de los elementos naturales y el despojo de los territorios de los pueblos indígenas y comunidades campesinas!
  • ¡Exigimos la desmilitarización de nuestros territorios!
  • ¡Exigimos el respeto al derecho a la tierra de los pueblos indígenas y de las comunidades campesinas!
  • ¡Exigimos el respeto al ejercicio de nuestra autodeterminación, con la creación de gobiernos propios y autónomos!
  • ¡Exigimos la paralización de todos los megaproyectos extractivistas, presentes y futuros en nuestros territorios!
  • ¡Exigimos el respeto a la vida y justicia por los asesinatos y desapariciones forzadas de los hermanos y hermanas indígenas y de todos los pueblos que están en lucha!
  • ¡Exigimos justicia por la masacre de Acteal, un crimen de lesa humanidad cometido hace 20 años y que sigue impune!
  • ¡Exigimos la atención inmediata a la emergencia humanitaria por el desplazamiento forzado de más de 5.000 personas donde se encuentra el pueblo tsoltsil, en los municipios de Chenalhó y Chalchihuitán, en Chiapas!

Para finalizar, renovamos la invitación a todos los pueblos y movimientos en lucha que nos unamos, desde abajo y a la izquierda, para crear estrategias conjuntas de resistencia desde America Latina y con todo el mundo.

Desde Chiapas/México hasta Pará/Brasil, gritamos ya basta la explotación de nuestro territorio!

 

Movimiento Indígena del Pueblo Creyente Zoque en Defensa de La Vida y la Tierra – Zodevite

Organización de la Sociedad Civil Las Abejas de Acteal

Movimiento en Defensa de la Vida y el Territorio – Modevite/Chilón y Sitalá

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de la Casas, A.C.

Centro de Derechos Indígenas, A.C.

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

Associação Indígena Pariri

Destaque

Tecendo Alianças de Resistência: compartilhando dores, lutas, esperanças e as vitórias com os povos indígenas de Chiapas/México

Durante os dias 5 a 14 de dezembro, nós mulheres do povo Munduruku: Alessandra Korap (liderança da Associação Indígena Pariri) Maria Leusa Cosme Kaba Munduruku (liderança do Movimento Munduruku Ipereg Ayu) e Ana Vitória Munduruku participamos de atividades e compartilhamos das nossas resistências junto aos movimentos indígenas que estão em Chiapas, no sul do México.

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No dia 05 de dezembro, chegamos em Chiapas-México e nos reunimos na cidade de Chapultenango com o povo Zoque e o Movimento Indígena do Povo Zoque em Defesa da Vida e da Terra (Movimiento Indígena del Pueblo Creyente Zoque en Defensa de La Vida y la Tierra – Zodevite). Esse movimento está começando uma importante luta em defesa do território, reunindo as diversas organizações do povo contra as ameaça dos grandes empreendimentos. Esse ano eles tiveram uma grande vitória, conseguiram suspender o leilão do governo que ia conceder o seu território para a exploração de petróleo.

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No dia 06 de dezembro, seguimos para compartilhar experiências no município de Acteal  com a Organização Sociedade Civil das Abelhas de Acteal (Organización de la Sociedad Civil Las Abejas de Acteal). Essa organização foi criada em 1992 e tem uma história de muita dor e muita luta. Em 1997, 45 parentes dessa organização foram assassinados em um grande massacre promovido por grupos armados, chamados de paramilitares. Sua luta desde então é para não esquecermos desse massacre e para a responsabilização dos culpados por esse crime, que inclui também o próprio Estado Mexicano que formou clandestinamente esses grupos armados e que apesar de estar próximo da comunidade não fez nada para impedir esse massacre. Além dessa luta, a organização também está em resistência contra os grandes empreendimentos que o governo e as empresas querem fazer no seu território.

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No dia 07 de dezembro visitamos o Centro Estadual de Línguas Arte e Licenciatura Indígena em San Cristóbal de Las Casas, centro que foi criado e firmado após o levante zapatista de 1994, nos Acordos de San Andrez. Em Chiapas se falam 12 línguas indígenas. Eles apresentaram para a gente um projeto de formação de jovens indígenas em audiovisual para eles mesmo fazerem vídeos contando a história do seu povo.

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Ainda no dia 07 visitamos a Universidade da Terra. É uma universidade para os jovens indígenas das comunidades, mas que funciona de uma forma bem diferente. Os cursos são escolhidos a partir da demanda e da necessidade das comunidades. Tem cursos de padaria, eletricidade, mecânica, rádio, marcenaria, pintura, musica, escritura, edição de livros e outros. O tempo que cada aluno vai ficar na universidade é decidido por ele e por seus professores, porque cada um tem um tempo diferente de aprender e cada um busca um certo tipo de conhecimento. Os alunos podem fazer vários cursos de uma vez. Quando eles se formam, eles não recebem certificado, a escola é totalmente autônoma e a ideia é que ele possa voltar para a sua comunidade com o conhecimento necessário para apoiá-la.

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No dia 08, 09 e 10 ficamos na Missão Bachajón, no município de Bachajón conhecendo as experiências do governo comunitário e da Cooperativa das Mulheres Bordadoras de Flores. Compartilhamos nossas experiências com o Movimiento en Defensa de la Vida y el Territorio – Modevite/Chilón e Sitalá. Esse movimento surgiu a partir da defesa do território contra a construção de uma estrada que cortaria suas terras e serviria apenas aos estrangeiros e ao capital. A partir dessa luta estão avançando para a construção de governos autônomos, para acabar com a disputa entre partidos no meio das suas comunidades, que vem trazendo só desunião. Eles querem eleger seus representantes conforme seus costumes e organizar o município da sua forma, para atender às suas necessidades. A cooperativa formada por mais de 200 mulheres indígenas também foi uma forma de fortalecer a comunidade através da geração de renda, criando autonomia econômica.

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No dia 11 de dezembro compartilhamos nossas lutas com a Junta de Bom Governo do Caracol de Morelia, território Zapatista, no município de Altamirano. Eles explicaram para a gente o longo caminho de construção da autonomia no seu território. Essa é uma experiência única, que envolve toda as áreas da vida em comunidade, como saúde, educação, justiça comunitária, organização política, produção agroecológica, autodefesa, cooperativas autônomas de artesanato.

 

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No dia 12 de dezembro compartilhamos nossas experiências no Frayba (Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de la Casas A.C.) que se localiza na cidade de San Cristobal de Las Casas. Esse é um centro de direitos humanos que trabalha diretamente com as comunidades acompanhando seus processos de defesa do território e lutando contra a violação de direitos, como casos de tortura, desaparição forçada e deslocamento forçado. Seus princípios são: aprender, compartilhar e acompanhar.

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No dia 13 de dezembro, estivemos na livraria La Cosecha, onde compartilhamos a experiência da luta das mulheres Munduruku na defesa do território contra os grandes empreendimentos. Foi um momento aberto ao público da cidade de San Cristóbal, quando participaram organizações e outros movimentos que estão na mesma luta que a gente.

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Modevite

https://www.facebook.com/profile.php?id=100013527400413

Organización Sociedad Civil las Abejas de Acteal

http://acteal.blogspot.mx/

Zodevite

https://www.facebook.com/Pueblo-Zoque-Defensa-del-Territorio-385949995133840/?ref=br_rs

Universidad da Tierra de Chiapas – CIDECI

http://seminarioscideci.org/

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de las Casas A.C.

https://frayba.org.mx

Centro Estatal de Lenguas, Arte y Literatura Indígenas – CELALI

http://www.mexicoescultura.com/recinto/67734/centro-estatal-de-lenguas-arte-y-literatura-indigenas-celali-.html

Cooperativa de Mulheres Indígenas Bordadoras de Flores

http://www.facebook.com/BordadorasDeFores

Livraria La Cosecha

https://www.facebook.com/lacosechalibreria/

Conselho Indígena de Governo

https://www.congresonacionalindigena.org/conselho-indigena-de-governo/

 

 

 

 

 

 

 

 

Destaque

Nós Munduruku não aceitamos a Ferrovia do Grão (Ferrogrão)! No Tapajós não passará!

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Nós, caciques, lideranças, pajé, guerreiros e guerreiras do povo Munduruku do médio Tapajós, exigimos que a Agência Nacional de Transportes (ANTT) consulte nosso povo Munduruku e todos os povos indígenas e ribeirinhos que vão ser impactados pela Ferrovia do Grão (Ferrogrão) desde Sinop no Mato Grosso até Itaituba. Nós temos o direito de consulta prévia, livre e informada como garante a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do qual o brasil é signatário, mas o governo brasileiro insiste em não respeitar a própria legislação interna e internacional que criam e fazem parte. SAIBAM QUE NÓS VAMOS CONTINUAR LUTANDO POR NOSSOS DIREITOS ATÉ QUE SEJAM CUMPRIDOS!

O ministério Público Federal já recomendou à ANTT que as audiências fossem canceladas até que as consultas fossem realizadas e que se tenha dimensão dos impactos que isso vai causar para nós indígenas, para nossos companheiros de luta beiradeiros e para as unidades de conservação. Na Convenção 169 no artigo 6° diz:

“consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”, bem como que “as consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”.

Nós não fomos consultados, os beiradeiros não foram consultados e nossos parentes de outros povos também não foram. São pelo menos 19 áreas indígenas durante todo o percurso da ferrovia que serão impactados e AUDIÊNCIA PÚBLICA NÃO É CONSULTA PRÉVIA, LIVRE E INFORMADA, não tentem nos enganar de que esse é o cumprimento da convenção 169, NÓS SABEMOS DOS NOSSOS DIREITOS!!! É para isso que nós temos nosso protocolo de consulta, é por isso que Montanha e mangabal e Pimental também tem o seu, lá nós falamos de como a consulta deve acontecer com nossos povos.

Nós não vamos mais aceitar que mais uma vez vocês Pariwat venham com esses projetos pensados por vocês e que querem impor para nosso povo, sem ser discutido, sem consultar e sem considerar os impactos no nosso modo de vida, em nossos territórios, nos nossos lugares sagrados e dos nossos parentes. Nossa floresta grita, o pajé sabe que ela está precisando de ajuda, mas vocês Pariwat não sabem o que é isso. Vocês só querem destruir, para construir empreendimentos que acabam com e a floresta, e para expandir o agronegócio na nossa região, acabando com nossas árvores e com nossa biodiversidade para colocar no lugar milhares de quilômetros de soja. NÓS NÃO VAMOS DEIXAR ISSO ACONTECER!!!

Nós Mulheres nos reunimos no nosso segundo encontro na aldeia Sawre Muybu, nós estamos vendo que os pariwats estão destruindo nossos rios, nossas florestas, e nós nos preocupamos com nossos filhos. Nós vamos lutar junto com nossos guerreiros, contra hidrelétrica, contra ferrovia, contra tudo que vier em nome da destruição!

SAWE!!!!!!!!!!!!!!!

Destaque

Ibaorebu é quem sabe fazer as coisas e transforma o mundo!

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Quando um presidente da Funai que foi indicado por um presidente da República que é aliado dos barrageiros e do agronegócio e dos garimpeiros e mineradoras que querem tirar nossas terras, vem muitas vezes numa terra indígena repetir a mesma fala, é porque quer nos convencer de que a mentira virou verdade. Por isso só o que podemos fazer é lutar.

Nós comissão de alunos Formados pelo Ibaorebu não desanimamos da luta e juntos no Movimento Iperegayu denunciamos que esse governo do presidente já tem um ano e meio, mas parece que está a décadas no poder. Estamos vendo mais do que o sucateamento da Funai, estamos vendo a destruição de todos os nossos direitos.

O general presidente da Funai ainda não conseguiu mostrar nenhum avanço na demarcação das terras dos nosso parentes e nem uma proposta pra acabar com o garimpo dos pariwat em nosso território.

Nós nos reunimos em Jacareacanga e viemos aqui nessa reunião na aleia Katon, Exigir que o presidente da Funai assuma o compromisso junto ao povo Munduruku para a continuidade do ensino médio integrado Ibaorebu e que assine um termo de cooperação entre Funai e o IFPA  Campus de Marabá.

Que garanta apoio financeiro para realização da oficina do Ibaorebu na primeira semana de março 2018 na aldeia Sai-Cinza, que vai fazer a revisão, sistematização e publicação das pesquisas produzidos pelos alunos munduruku durante o curso Ibaorebu.

A Funai também deve garantir apoio financeiro para a comissão dos formados no Ibaorebu possa reunir com os Centros de Ensino Superior para discutir oferta de vagas de cursos superiores para nós munduruku, conforme planejamento e definido no encontro na aldeia Sai Cinza e apoio para realização do curso superior diferenciado respeitando as decisões dos alunos munduruku e o Protocolo de Consulta Munduruku.

Sem território não há educação por isso o  presidente da Funai deve dizer quando vai fazer a demarcação da terras do território DAJEKAP AP EIPI: Praia do Mangue, Praia do Índio, Sawreapompu, Sawrejaybu, Sawremuybu.

E como presidente da Funai deve trabalhar pela reconstrução da sede oficial da Funai em Itaituba aumentando os recursos humanos e da coordenação regional em   Itaituba e da coordenação técnica local (CTL) em  Jacareacanga.

Por fim exigimos a apuração das denuncias de que Funcionários da Funai estão envolvidos com garimpos Ilegais no território Munduruku.

 

Comissão de Alunos Formados pelo projeto de ensino médio Integrado Ibaorebu

Jacareacanga 25 de novembro de 2017

comissaoibaorebumdk@gmail.com

Sawe!

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Carta ao Presidente da Funai

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Nós fizemos a primeira ocupação no dia 16 a 19 de julho de 2017 da Usina de São Manoel para defender Dekuka’a e Karobixexe que o governo (FUNAI, IBAMA, ICMBIO, IPHAN) as hidrelétricas São Manoel e Teles Pires sujaram e destruiram. Reunimos com o presidente da Funai, com os representantes das empresas e filmamos tudo e todos eles os Pariwat assinaram documento com compromissos com nosso povo.

O MPF do Mato Grosso acompanhou tudo. Uma audiência na Missão Cururu devia contar com a presença de todo mundo mas o presidente da Funai não apareceu e nem os representantes das empresas.

Nós fizemos uma outra ocupação e as empresas e o governo jogaram bomba na gente, bem na hora do nosso ritual. O Presidente da Funai não disse nada e ainda mandou funcionários seus que gostam de conversar com garimpeiros que estão destruindo o rio das Tropas no Alto Tapajós e no rio Jamaxim no médio Tapajós.

Agora o presidente da Funai vem dia 28 de novembro a Terra indígena Munduruku na aldeia Katõ usando desculpa de que vai discutir a situação da Funai. Não temos culpa da Funai não funcionar. Não queremos que venha pra cá  pra mentir mais uma vez.

O que vai falar o presidente da Funai¿ Vai pedir desculpas porque a Funai quer arrendar a terra dos indígenas¿ Nós munduruuku sabemos plantar e temos nossa criação, não precisamos de pariwat pra fazer isso.

O presidente da Funai vem pedir desculpas porque seus funcionários mesmo sabendo da existência de garimpo na  nossa terra, não fazem nada¿

O presidente da Funai vem pedir desculpas por não fazer nada¿ Nós entendemos que o presidente da Funai está no cargo por outros motivos e não pra defender os povos indígenas.

Nós do Movimento Iperegayu não acreditamos nesse presidente pariwat. Se o presidente quer vir ao nosso território mostre pra nós quantas terras indígenas foram demarcadas desde que ele entrou na Funai. Mostre quantos projetos que vão destruir o território dos povos indígenas foram enterrados desde que ele entrou.

A nossa pauta o presidente já conhece, mas vamos lembrar mais uma vez.

PAUTA DO MOVIMENTO IPEREGAYU

  • Demarcação da Terra Indígena Sawre Muybu no território Dajé Kapap Eipi
  • Investigação da contaminação por mercúrio nos rios do território munduruku.
  • Expulsão dos garimpeiros do território munduruku
  • Expulsão dos funcionários corruptos da Funai.
  • O pedido de desculpas das empresas e do governo ao povo munduruku por terem destruído nossos locais sagrados.
  • Prender o assassino do Adenilson Krixi que morreu na invasão da Policia Federal na aldeia Teles Pires.
  • A continuidade do nosso projeto de educação Ibaorebu
  • Essa é nossa pauta. Se o presidente não atender nossa pauta, não tem porque vir aqui.

 

Movimento Iperegayu

10 de Novembro de 2017

Destaque

carta de repudio aos vereadores de jacareacanga

 

 

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Jacareacanga 27 de outubro de 2017

Movimento Iperegayu.

Carta de repudio aos vereadores(as)

Nos caciques Cacicas, guerreiros e guerreiras do movimento Iperegayu viemos através desta carta, manifestar nosso repudio e nossa indignação com o comportamento e as atitudes dos senhores e senhoras estamos acompanhando vocês desde que assumiram esta casa do povo (soat Duk,a) desde inicio do ano não vimos nenhuma proposta e projeto para o povo, não vimos nenhum projeto de lei que garanta o direito educação diferenciada e benefícios para nosso povo só estamos vendo e ouvindo, via radio FM acusações, denuncias que só tem atrapalhado o desenvolvimento do nosso município, esta casa de lei a casa do povo virou (Dapxiayu) mentiroso, e  nos que somos povo indígena somos os mais prejudicados que com isso, sabemos que  somente uma pequena parte dos vereadores vem tentando atrapalhar o nosso município com essas denuncias e acusações  por não conhecer a realidades das comunidades  só pensam em beneficio próprios.

Como vocês não trabalham pra nós pedimos aos senhores e senhoras que aprova o nosso proposta de lei.

  • FUNDO AYACAYU
  • LEI DA FALA WUYJUYUYU.
  • Atualização de lei orgânica do município de Jacareacanga respeitando protocolo Munduruku de acordo com a realidade da cultura e as leis de proteção de direitos indígenas

e outros pedidos no anexo

Movimento Iperegayu

Sawe, sawe, sawe

 

 

Destaque

Manifiesto Munduruku

Versión en Español

 

El pueblo Munduruku no habla por hablar. Las palabras predicadas por nuestros chamanes, ancianos y ancianas, caciques, cacicas, guerreros, guerreras y líderes de hecho suceden. Nuestros cantos, hace muchos siglos, cuentan que somos un pueblo guerrero y que no hemos perdido ninguna batalla. Estas son palabras verdaderas, por esto continuamos cantando y haciendo nuestros rituales. Por otro lado, la palabra de los pariwati (blancos) es llena de dapxi (mentira). Es por ello que lo escriben todo, para intentar fortalecer la palabra y esconder las cosas malas que hacen detrás de los papeles que firman.

Para enseñar a los pariwati el significado de “ogukirik oceweju” (compromiso celebrado con el pueblo Munduruku), hicimos la audiencia y recibimos al Ministerio Publico con la ayuda de cada comunidad. Hicimos ver que aquí en la Mundurukania no es el dinero que manda. Tenemos tierra para sembrar, tenemos pescado, caza y el río para navegar. Si no tenemos combustible, remamos y llegaremos siempre donde queremos.

Ya explicamos antes, pero nos parece que los pariwati todavía no lo entendieron. Nuestros chamanes están escuchando los lamentos de los espíritus después de la destrucción de Karobixexe y Dekuka’a. Por esto somos obligados a visitarlos y a calmarlos.

Entonces, nosotros estamos alertando una vez más de que nos vamos hasta el río Teles Pires para cumplir nuestra palabra verdadera y visitaremos las urnas que descubrimos que las están rescatando, de acuerdo con lo que dicen nuestros chamanes y sabios. No es la CHTP que hace el “salvamento”, como ella dice en su oficio. Ella tocó en nuestro lugar sagrado y retiró las urnas de ahí en silencio, a escondidas, mintiendo una vez más. Pero nosotros descubrimos y vamos cobrar de la empresa este deber de llevarnos hasta allá, porque es ella la culpada por la tristeza de nuestros espíritus ancestrales.

El Ministerio Público está llevando nuestro aviso en la carta de audiencia. Pero ustedes ya se dieron cuenta que no somos “pueblos de papel”. Si necesario volveremos a la zona de obras de la Central Hidroeléctrica de São Manoel para cobrar de las empresas y del Gobierno todo lo que ellos han robado de nosotros.

 

Destaque

Entre os dias 28 e 30 de setembro, cerca de 150 lideranças Munduruku estiveram reunidos em audiência na aldeia Missão Cururu. O movimento reivindica o cumprimento de acordos feitos com os diretores das empresas responsáveis pelas usinas São Manoel e Teles Pires e pelo Governo brasileiro na figura do Presidente da Funai.

Via Fórum Teles Pires

Entre os dias 28 e 30 de setembro, cerca de 150 lideranças Munduruku estiveram reunidos em audiência na aldeia Missão Cururu. O movimento reivindica o cumprimento de acordos feitos com os diretores das empresas responsáveis pelas usinas São Manoel e Teles Pires e pelo Governo brasileiro na figura do Presidente da Funai.

Veja o Vídeo!

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Destaque

Carta das mulheres Munduruku em resposta à Funai e às empresas hidrelétricas do Teles Pires

 

Nós, mulheres, pajés, caciques, cacicas, guerreiros, guerreiras, cantores, cantoras, professores, lideranças Munduruku reunidos na aldeia Missão Cururu de 28 a 30 de setembro, estamos aqui para denunciar que mais uma vez as empresas e a FUNAI mentiram e não cumpriram o acordo que fizeram com o povo Munduruku na ocupação da UHE São Manoel.

Muitas mulheres e muitos antigos da luta, mesmo com muita dificuldade, vieram de suas aldeias para dialogar com as empresas e com a FUNAI e mostrar o sofrimento causado pelas barragens, que estão destruindo e deixando a gente com o rio sujo,matando os peixes .

Antes de construir essas hidrelétricas, eles nunca consultaram a gente. Nós fizemos o Protocolo de Consulta, mas o governo nunca cumpriu. Nem a FUNAI, que fala q é defensora dos direitos indígenas que vai cumprir o que está no Protocolo, mas nunca cumpriu. Eles não reconhecem o povo. Não só os indígenas, mas também os ribeirinhos. No mês de setembro, o Presidente Franklinberg Freitas descumpriu o Protocolo munduruku e indicou Olinaldo de Oliveira, conhecido como Fuzica, para assumir um cargo importante na Coordenação Regional do Tapajós. Nós não aceitamos essas indicações políticas e nem que ele passe por cima da nossa decisão, que era a readmissão do Ivanildo Saw Munduruku. Por isso ocupamos a FUNAI e Olinaldo pediu para ser exonerado.

Para ter diálogo com o povo Munduruku, eles têm que vir aqui nas nossas aldeias, comer com a gente, beber água do rio, ver de onde a gente tira nosso alimento. Se eles fizeram a barragem, eles também vão ter que beber da água do rio, com vazamento de óleo, peixe contaminado, animais morrendo. Vão ter que comer com a gente e sofrer o que a gente tá sofrendo.

Assinaram nossas reivindicações e prometeram que viriam na aldeia pedir desculpas pelas destruições dos lugares sagrados, mas não vieram e só enviaram suas palavras cheias de jurupari (espíritos do mal). Disseram que invadimos a UHE São Manoel com armas, mas não estamos pedindo o que é deles, estamos falando do que é nosso.  Quando ocupamos o canteiro não demorou um dia para eles aparecerem lá. Eles falam que aquilo é deles, mas aqui eles não vieram.

Eles não tiveram coragem de vir olhar na nossa cara dentro da nossa casa. Quando fazemos ocupação eles têm coragem de olhar pra cara da gente, porque estão armados. Nós nunca usamos arma para lutar contra eles, nós usamos nossa cultura, nossa fala. Os pariwat que usam armas para intimidar. Com suas armas assassinaram Adenilson Kirixi. Nós sempre usamos arco e flecha que é da nossa cultura e vamos continuar a usar.

Se a gente não falar nada, vão continuar igual aos cachorros. A gente fala, fala e eles nunca ouvem.

Mesmo sem as empresas, sem apoio de combustível e alimentação, nós fizemos a audiência e mostramos que não dependemos dos pariwat. Temos território, temos nosso peixe e mostramos que a gente está aqui, trabalhando e construindo nosso plano de vida. Mas o governo e as empresas só estão atrapalhando. Essa época é o momento de plantação das nossas roças, em que estamos conversando com as plantas para elas crescerem e o Governo está interferindo nisso tudo. Hoje é dificil as mulheres que estão no movimento ficar nas suas casas, cuidar dos filhos, das roças.

Foi o choro das nossas crianças que fez as mulheres chegarem até o canteiro de São Manoel junto com os homens. Somos mãe, a mãe da nossa terra, nós cuidamos dela. Somos a mãe peixe. Antigamente todas viramos peixe, todas as mulheres foram embora para o rio, por isso sabemos o que está acontecendo com nosso Idixidi sagrado.

Eles não cumpriram o acordo, mas isso não quer dizer que nós fomos derrotados.  Quanto mais o governo e as empresas negam nossos direitos, mais a gente vai reagir. O Governo e as empresas estão se declarando e nós vamos reagir.

Nas palavras de morte das empresas, eles não falam da destruição dos nossos locais sagrados. Dizem que não têm que pedir desculpas. Escondem que acabaram com Karobixexe e Dekuka’a. Os espiritos nao têm onde ficar, estão rodando, procurando seu lugar. Agora estamos sentindo  a cobrança dos espíritos. Tem gente adoecendo. Está tendo muito acidente, crianças afogadas, picada de cobra. Por isso que a gente foi pra ocupação.  Decidimos que temos que fazer a segunda visita às urnas no dia 7 de outubro 2017, isso foi o compromisso que fizemos durante a primeira visita (cf. pauta anexa). A empresa vai ter que pagar todos as despesas da viagem. Precisamos fazer esses rituais lá. Até as empresas virem até nós e pedirem desculpa, os espíritos não vao sossegar. Também continuamos exigindo que as empresas venham até o território Munduruku e façam audiência para pedir desculpas por terem destruído nossos locais sagrados e parem de negar essa violência que fizeram com a gente.

Esperamos uma resposta urgente da empresa e da FUNAI. E nós mulheres junto com os pajés, caciques, cantores, lideranças estamos prontos para voltar para a ocupação.

 

Sawé!

Destaque

Somos feitos do Sagrado!

Esse local é sagrado porque aqui quando o mundo estava se formando Karosakaybu fez Karubixexe, Dekoká’a e Dajekapat.

Nós pajés vemos e ouvimos nossos antepassados se manifestando e cobrando de nós porque suas moradas não existem mais. As urnas devem ser devolvidas e não ficar com os pariwat. Nós vamos escolher um novo lugar para elas.

Nós Munduruku somos feitos do sagrado e vivemos do sagrado e nós pajés ajudamos o povo a seguir no seu caminho. Não temos problemas com os evangélicos ou com os pains sabemos que eles também conhecem o sagrado, respeitamos isso, eles também ajudam, mas não sabem o caminho certo, por isso nós trouxemos nosso povo aqui. Para verem de perto o mal que existe aonde antes era lugar de proteção e saúde.

Os pariwat também tem seus lugares sagrados e seus objetos sagrados, os livros, as bíblias com o que eles andam, antes de serem sagrados já foram outras coisas. O papel desses livros se não tiver verdades, não será sagrado.

É desse jeito que vemos nossas Karubixexe, Dekoká’a e Dajekapat e outros locais que nem são conhecidos dos pariwat. Precisamos trazer o equilíbrio das coisas vivas e dos espíritos no rio idixidi, que essas hidrelétricas destruíram.

Vimos as urnas e vamos lutar para que elas sejam mantidas seguras, elas não são para ficar no vidro como atração, vão voltar para os seus locais.A usina Teles Pires destruiu nosso local sagrado Karubixexe e tem que  pagar. A usina São Manuel destruiu Dekoka’a. Exigimos que seja feito um estudo antropológico sobre a destruição de Karubixexe e Dekoka’a. O estudo tem que ser financiado pelas usinas, nós povo Munduruku vamos escolher e indicar o antropólogo responsável pelo estudo. Este estudo é diferente do EIA/RIMA e do Estudo da Componente Indígena. Aguardaremos também o pedido de desculpas por terem destruídos nosso local sagrado, deverá ser feito na audiência da aldeia Missão Cururu, como apresentado na carta de reivindicação entregue na reunião do dia 19 de julho de 2017, no canteiro de obras da São Manoel.

A usina São Manoel destruiu nosso local sagrado Dekoka’a onde está a mãe dos animais. A Hidrelétrica Teles Pires destruiu a casa sagrada, Karubixexe, agora nós pajés vamos ter de encontrar um lugar aqui mesmo para devovlvermos as urnas e pedir desculpas aos espíritos por ter invadido a terra. Nós pajés confirmamos que foram roubados vários materiais sagrados e que ainda tem mais materiais no local onde foi destruído Karubixexe. Nós pajés fizemos um compromisso com os espíritos de fazer visita no nosso local sagrado, Karubixexe, que foi destruído na construção da usina Teles Pires. Como Karubixexe, a cada dois meses, para sempre. Nós temos que oferecer as bebidas tradicionais. Na nossa segunda visita iremos escolher o local onde será depositado as urnas. As usinas tem que pagar todas as nossas visitas ao nosso local sagrado.

No segundo encontro das mulheres, na aldeia Santa Cruz, em maio de 2017, as mulheres Munduruku decidiram fazer a visita às urnas, aguardamos por tanto tempo sem mostrar para ninguém, mas agora, a violação veio à público, todas sabem o que a usina Teles Pires e São Manoel fizeram, destruindo nossas locais sagrados. Na nossa visita às urnas, os espíritos, que estão vivos, ficaram felizes com a nossa visita, eles estavam chorando e com fome, e nós oferecemos as bebidas para eles e sentimos a presença deles, todos se reuniram para nos receber. Muitos espíritos estavam na nossa visita, o local onde eles nos receberam não era grande o bastante, por isso, durante a cerimônia, a parede rachou. A usina tem que tirar uma foto da rachadura e mandar para o Movimento Iperegayu.

Nós Munduruku estamos voltando para nossas aldeias, com a proteção dos espíritos dos nossos ancestrais, fomos ouvidos pela FUNAI e as empresas assumiram o compromisso com a nossa pauta. Vamos continuar nosso movimento. A FUNAI e a empresa podem esperar que se não cumprirem o compromisso firmado, voltaremos.

 

Sawe!!

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Carta dos Ka’apor em apoio aos Munduruku

Nossos braços e nossas mãos aos parentes, guerreiros e guerreiras do Movimento Ipereg Ayu
Parentes Munduruku. Não pudemos esta ai, mas estamos com vocês aqui. Vocês mostraram esses dias que só com mobilização e organização a gente vence. Que os direitos nossos a gente não vende e nem negocia, a gente conquista em movimento e com luta com nossos parentes. A gente esta acompanhando os esforços, sacrifícios e luta de vocês para chegar até essas barragens que destroem os lugares sagrados em nome do dinheiro, do lucro dos ricos para gerar energia para os ricos. Só vocês conhecem o que os espíritos dos rios e da floresta tem a dizer pra vocês. Assim nós aqui. Só nós sabemos o que os espíritos da floresta, dos rios, da terra tem pra dizer pra nós. Os Pariwat, os Karai nunca vão saber, entender o sentido de nossa luta, de nossa vida. Eles podem atacar e querer derrubar a nossa organização e luta, mas não vão conseguir. Por isso parente, a gente unidos, tem que continuar se reunindo, se organizando e lutando do nosso jeito pelos nossos projetos de vida. Nosso futuro não está na cidade, nem venda de madeira e estacas, nem pastos, nem roças grandes, nem agronegócio, nem garimpo, nem barragem, nem projetos do governo. Nossa floresta, nossos rios, nossa terra são sagrados para nós. O mais importante agora é nossos Planos de Vida que vão guiar nossos passos para o bem viver nos nossos territórios.
Piranta ha johu Katu!
Conselho de Gestão Ka’apor
Guerreiros da Floresta Ka’apor

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Por que nós munduruku estamos aqui?

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Por que nós munduruku estamos aqui?

Nos dias 08 a 10 de maio de 2017 nós mulheres, pajés, caciques e lideranças estivemos junto com nossas crianças, reunidos na aldeia Santa Cruz realizando nosso II encontro de mulheres Aya Cayu waydip pe. Nesse encontro discutimos muitos problemas. A maioria desses problemas pioraram com a construção da Hidrelétrica do Teles Pires e de São Manuel.
Nossos locais sagrados Parabixexe e Dekuka’a foram violados e destruídos e nosso protocolo de Consulta foi desrespeitado. Depois de ouvirmos as mulheres foi decidido que estaríamos aqui por dois motivos.
O Primeiro é devolver as urnas roubadas pela hidrelétrica para a terra e que nenhum pariwat tenha acesso a ela. Essa devolução das urnas tem de ser acompanhada pelos pajés e com um pedido de desculpas da hidrelétrica por ter desrespeitado nossos locais sagrados.
Segundo que a hidrelétrica respeite nossos direitos e crie um Fundo com recursos para serem aplicados por nós munduruku:

  • em nossas escolas e na nossa educação,
  • nas nossas roças,
  • na proteção e vigilância das nossas terras,
  • no apoio aos nossos outros parentes e sem interferência das hidrelétricas,
  • na proteção dos nossos locais sagrados
  • na preservação do nosso conhecimento e da nossa história

Sawe!

Por que nós munduruku estamos aqui

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Em carta à FUNAI, Mundurukus afirmam seu repúdio

No dia 11 de junho de 2017, o povo Munduruku reunido na aldeia Sawre Muybu, no médio Tapajós, escreveram uma  carta à Fundação Nacional do Índio – FUNAI manifestando seu repúdio ao retorno do servidor Raulien Queiroz de Oliveira à Coordenação Regional do Tapajós.

Os indígenas, entre outras denúncias, afirmam que Raulien nos seus dois mandatos como prefeito do município de Jacareacanga, território onde se concentra a maior parte das aldeias da etnia Munduruku, repetiu várias irregularidades a este povo, como a demissão arbitrária de 70 professores indígenas, em 2014. O servidor também foi presidente do Consórcio Tapajós, interessado na construção de hidrelétricas que alagariam Terras Indígenas e trariam impactos socioambientais irreversíveis às comunidades indígenas e ribeirinhas da região.

Leia a Carta na integra!

À PRESIDÊNCIA DA FUNAI
c.c: Ministério Público Federal

Nós, povo Munduruku, em reunião na aldeia Sawre Muybu, no dia 11 de junho de 2017, manifestamos nosso total repúdio ao retorno do servidor Raulien Queiroz de Oliveira à Coordenação Regional do Tapajós.
O servidor sempre maltratou os indígenas e durante os oito anos de mandato (2009-2016) como prefeito de Jacareacanga, sempre discriminou os Munduruku e ainda foi presidente do Consórcio Tapajós, interessado na construção de hidrelétricas que alagariam Terras Indígenas e trariam impactos socioambientais irreversíveis às comunidades indígenas e ribeirinhas da região.
Durante sua gestão, adotou diversas medidas políticas e administrativas anti-indígenas, como a exoneração arbitrária de 70 professores indígenas, em março de 2014, decisão revertida na Justiça, por meio de ação do Ministério Público Federal. Usou ainda violência física e moral contra o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, chegando ao absurdo de coordenar um ato em que funcionários e servidores de sua gestão lançaram rojões contra os indígenas para reprimir suas manifestações em defesa de seus direitos.
Houve também interferência direta na organização social do povo Munduruku, quando inseriu na Associação Pusuru indígenas Munduruku ligados à sua gestão, favoráveis aos interesses da Prefeitura e contrários ao movimento de resistência.
É inaceitável que alguém com essa postura continue a trabalhar com o povo o munduruku ou com qualquer povo indígena. Sua atuação, seja como servidor da FUNAI, seja como prefeito, é incompatível com a missão do órgão indigenista de proteger os direitos dos povos indígenas.
Não aceitamos a presença do servidor supracitado na CR Tapajós, exigimos sua imediata exoneração pela presidência da FUNAI e a reestruturação da CR para que não haja prejuízo na realização das atividades fim da entidade. Caso não sejamos atendidos, resolveremos a situação de nossas próprias formas, com o devido acompanhamento do MPF.

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Carta dos Munduruku em apoio aos Guerreiros Guarani Kaiowa, Guerreiros Ka’apor e a todos os guerreiros indígenas do país.

A carta do povo Ka’apor, povo do Maranhão, divulgada no começo do mês que além de solidarizar com a luta dos povos Guarani Kaiowa e Munduruku, convoca todos  a uma contínua união  em torno da luta contra os saqueadores de direitos de comunidades tradicionais, donos de terras e governantes deste País. Esta carta, foi respondida pelo Movimento Munduruku Ipereg’ayu, leia  a carta na íntegra:

(Carta do Ka’apor aos Guerreiros Guarani Kaiowá e Guerreiros Munduruku aqui.)

01

Carta dos Munduruku em apoio aos Guerreiros Guarani Kaiowa, Guerreiros Ka’apor e a todos os guerreiros indígenas do país.

Nós, Munduruku do médio tapajós, com quatro aldeias localizadas no município de Itaituba-PA e um novo território em processo de autodemarcação dentro da área de empreendimento do governo, onde o território é dos munduruku antes mesmo da chegada dos pariwat invasores do século XV, no tempo dos colonizadores.

Toda a população indígena do Brasil sabe que o governo brasileiro nunca respeitou o nosso direito, mesmo ele existindo na Constituição Federal de 1988. E nenhum político que ocupa o cargo no congresso defende o direito dos povos indígenas. Se fosse um bom politico, não votaria em aprovar a Lei que acaba com os direitos dos povos. Revogaria a PEC 215, a Portaria 303 da AGU e outros projetos de lei, como o novo código da mineração.

Além do mais, os grandes projetos do governo estão atropelando os direitos de todos os povos indígenas do Brasil. Um deles é a construção de Usinas Hidrelétricas no Pará: Belo Monte, São Luiz do Tapajós e mais 4 ao longo do leito do tapajós; uma no Jatobá; uma no Chacorão; outra já em fase final no rio Teles Pires e com continuidade em São Benedito, no rio São Manoel e mais três a serem construídas no rio Jamanxim. E todas elas produzirão energia, mas não beneficiarão nenhuma cidade mais próxima e muito menos a comunidade indígena.

A Energia virá apenas para favorecer as grandes empresas, como as mineradoras e as multinacionais. A hidrelétrica não gerará energia para as pequenas populações que não tem condição de pagar energia cara. Então, com a barragem construída virão mais outros grandes projetos de destruição: a ferrovia; a hidrovia no rio tapajós para escoar os grãos de soja, para exportar ao exterior. E com isso pretendem construir 7 portos no leito do tapajós e asfaltar a BR- 163.

Parentes Guarani Kaiowa, Ka’apor e todos os outros povos que lutam como nós: nós, munduruku, sentimos muitas dores por vocês, pelo tamanho crime que os governantes vêm cometendo, com nossos assassinatos recorrentes. Há séculos os pariwat vêm tomando as nossas terras, vem tirando a vida de nossa floresta que nos dá alimentos para nossa família e que nos dá até medicação. Violentam e estupram a nossa mãe Terra e a deixa desonrada, não a respeita.

O governo, com o seu projeto, não traz “progresso e nem desenvolvimento”, só traz morte. E a população indígena não tem direito de contestar esse tipo de violação. E quando nos manifestamos indignados, com toda razão e com direitos, o governo diz: “estão atrapalhando”. Nós, indígenas, não estamos atrapalhando ninguém. Porque não somos nós que estamos indo a Brasília para tomar as terras dos pariwat e matar. Nem vamos lá para desrespeitar os seus direitos e não invadimos os seus territórios. Como dizem que estamos atrapalhando se foram eles mesmos que fizeram essa tal de Lei para ser obedecida e cumprida e não estão nem respeitando o que eles mesmos escreveram? E não fomos nós. Nós exigimos que o governo garantisse o nosso direito constitucionalmente, na carta magna, na Assembleia constituinte.

Parentes, vamos lutar juntos. É só observar como a natureza nos ensina. Observamos que as formigas taoca nunca caçam sozinhas, mas em bando. Elas entram nas ocas e fazem fugir as mais temíveis cobras, escorpião, centopeia, aranhas, a onça, a grande cobra. Entram em oco de paus e capturam e destroem qualquer espécie que encontram pela frente. Essas formigas são perigosas.

Da mesma forma agem os maribondos. Eles nunca atacam sozinhos. E também as formigas vermelhas ferozes: primeiramente ela vem sozinha e logo em seguida vem o bando para atacar. Os porcos do mato nos ensinam tudo sobre a arte de lutar ou da guerra. As onças, no período do cio, juntam-se em bando para acasalar. As espécies animais nos ensinam tudo isso. Em todos os momentos de nossa vida, nós indígenas, devemos sempre estar juntos.

O momento é esse para lutarmos juntos, contra o nosso maior inimigo, que é o governo. Vamos formar uma grande aliança como o nosso saber nos ensina: a sabedoria do jabuti. Ele é lento, mas não é lerdo. Ele anda devagar, mas não fica para trás. Tem uma resistência e ninguém o derrota. Ele sempre vence. É muito inteligente e sábio.

A única forma é essa: Nós temos que unir nossas forças. Todos os povos indígenas do Brasil e do mundo, desde o norte até o sul, do o oriente ao ocidente. Vamos dar o grito de “basta”! Chega de nos massacrarem, de violarem nossos direitos. Chega de tomarem as nossas terras.

Então, se fizermos uma grande mobilização de nível nacional e internacional poderemos vencer o nosso maior inimigo. Nós não vamos levantar a nossa machadinha para derramar sangue. Queremos mostrar que somos um povo que luta pela vida de todos os seres humanos que dependem da natureza, e não da guerra.

Todos os povos devem se juntar para essa grande batalha pela PAZ, o amor pela natureza, o amor a vida. De todos os seres existentes, que possuem formas de vidas diferentes. Por que nós dependemos de todos eles.

Sawe!

Movimento Ipereg’ayu e Associação Indígena Pariri

Aldeia Sawre Muybu, 15 de julho de 2015

Carta dos Munduruku apoio kaapor e guarani kaiowa