A luta Munduruku é nossa luta – queremos proteção pra mulheres guerreiras Munduruku

Nos do Conselho de Gestão Ka’apor ficamos sabendo da operação Pajé Brabo nas florestas próximas ao território dos nossos parentes Munduruku.

Sabemos que pajé brabo na cultura dos nossos parentes é aquele que anda fazendo mal para outros parentes. É isso que as maquinas de garimpos estão fazendo com nossos parentes Munduruku. Estão fazendo um grande mal para todos os povos indígenas.

 

Nós do Conselho Gestão Ka’apor decidimos nos reunir em nosso 2o. Tempo-Formação de nosso Projeto Ka’a namo Jumu’eha katu – Aprendendo com a Floresta,  manifestar sobre essa operação que houve contra garimpo na terra dos patentes munduruku. Sabemos que não é bom ter karaí armado nas nossas terras, nem do governo, nem dos madeireiros.  E nós sabemos também que é dever do governo proteger as terras indígenas. Eles não combinam com a gente pra fazer. Essa é uma ação importante, porque acompanhamos a luta do Movimento Ipereg Ayu para proteger seu território contra as barragens do governo e contra a ganancia dos garimpeiros.

Nós ka’apor denunciamos e resistimos junto com nossos parentes munduruku a todo projeto que não respeita nossa vida, nem garimpo, nem madeireiras, nem barragens, nada disso faz bem para o nosso povo.

Sabemos que sempre depois de uma operação como essa os inimigos do povo indígena se armam contra a gente para matar. Foi assim que perdemos muitas lideranças do nosso povo Ka’apor.

Por isso queremos ser solidários com nossos parentes munduruku do Movimento Ipereg Ayu e dizer que apoiamos sua luta que estamos contentes porque as mulheres se organizaram na associação Wakoborun para apoiar o Movimento Ipereg Ayu na luta pelo caminho verdadeiro do povo, longe de barragens e longe de garimpos.

Também queremos pedir as autoridades que protejam as mulheres do Movimento que estão levando a frente a luta e que hoje estão ameaçadas de morte por garimpeiros karaí e parentes garimpeiros que estão sendo usados e enganados pelos karai.  Estão fazendo do jeito karai pra destruir nossos territórios e sua própria vida.

 

Nós do Conselho estamos acompanhando tudo prontos para nos juntarmos a essa luta.

 

Terra Indígena Turiaçu,   7 de maio de 2018

 

Conselho de Gestão Ka’apor

Guarda Florestal Ka’apor

Sementes da Agrofloresta Ka’apor

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3º comunicado das mulheres Munduruku sobre a fiscalização contra garimpo.

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Nós mulheres do Movimento Ipereg Ayu, junto com os caciques, guerreiros, associação Wakoborun, associação Wyxaxima, associação Aro e associação Pusuru  falamos agora do meio de mais um garimpo que está acabando com a Terra Munduruku.

Fizemos a nossa assembleia extraordinária de 28 a 30 de março na aldeia Caroçal rio das Tropas. Choramos por tudo o que está acontecendo em nosso território. A falta de peixes, e as doenças e a prostituição e drogas e uso de bebidas alcoólicas pelos jovens e violências e a cooptação de homens Munduruku. Tudo isso aumenta com a entrada dos garimpeiros pariwats.

Estamos muito bravas e tristes e desapontadas com as autoridades como Funai, Ibama Icmbio que deveriam ajudar a proteger nossas terras mas deixaram cair nas mãos dos garimpeiros pariwats.

Há cinco anos o Movimento Ipereg Ayu e mulheres que agora se organizam na associação Wakoborun estão denunciando os males do garimpo que está causando para o nosso povo. Como não recebemos apoio de nenhum órgão, nós mesmos decidimos fiscalizar e proteger nossa terra. Já fizemos ação na aldeia PV e no rio Caburuá aonde queimamos máquina de garimpeiro.

Agora nós fomos no igarapé Mapari que joga suas águas no rio das Tropas, aonde tem um garimpo grande com pista de pouso dentro da terra indígena Munduruku, saímos da aldeia Nova Esperança nas margens do rio das Tropas e entramos pela mata, levamos 5 horas para chegar nesse garimpo.

Viemos nós mulheres com bebês de colo, os caciques e guerreiros e avisamos para se retirarem todos os pariwats.

Descobrimos que o dono de uma das máquinas se chama Emerson de Novo Progresso e o gerente do garimpo é Amarildo Nascimento do município de Trairão. Na hora encontramos 20 garimpeiros, 2 PC, 3 pares de maquinas e um jerico.

Isso é muito perigoso para nós. Não queríamos deixar nossas roças e aldeias para ter de fazer o trabalho da Funai e dos outros órgãos, mas seria pior deixar acabar o futuro dos nossos filhos. Eles dependem dos rios limpos, livre de garimpo, livre de barragens e com a floresta que nós sabemos cuidar. Se acontecer alguma coisa com nós mulheres ou lideranças do Movimento nós responsabilizamos o Estado e seus órgãos que não fazem nada.

Fomos de novo na aldeia PV fomos recebidos por munduruku bêbados e armados com revolveres que nos ameaçaram. Vimos jovens bêbados e drogados e muitos pariwats, todos ameaçando os guerreiros que estavam com seus arcos e flechas. Ameaçaram a coordenação do Movimemto Ipereg Ayu Ana Poxo, Maria Leusa, cacicas e também o cacique Geral.

No total encontramos 14 PC que conseguimos encontrar e havia muito mais pois não chegamos nos outros garimpos. Pá de máquinas nós contamos 22 e 5 jericos trabalhando com 200 pariwats, fora os que se esconderam com medo ou para não serem reconhecidos pelos guerreiros.

São 24 indígenas que fizeram parceria com os pariwats para envenenar as águas do rio das Tropas e enriquecer deixando nosso povo que tem mais de 13 mil pessoas com as doenças e a água envenenada.

Nós do povo munduruku já decidimos nossa terra não é lugar de pariwat!

 

Sawe, sawe, sawe

 

Movimento Ipereg Ayu

Associação das mulheres munduruku Wakoborun

 

Rio das Tropas, 03 de abril de 2018

Carta de apoio aos beiradeiros de Montanha e Mangabal

Nós, povo Munduruku do Medio e Alto Tapajós e povo Apiaká, queremos expressar nossa solidariedade aos amigos e companheiros de luta de Montanha e Mangabal, que estão sofrendo ameaças de morte. Dois grandes companheiros já tiveram que sair de suas casas, sem saber quando vão voltar: Chico Caititu (que chamamos de cacique Daje) e Ageu Pereira. As famílias dos dois e do Pedro Braga, que ainda está na comunidade, estão muito preocupadas. E nós também. Até onde vai essa situação?

Sabemos que a nossa luta em defesa do rio Idixidi (Tapajós) e dos nossos territórios incomoda muito, principalmente depois que fizemos, juntos, as autodemarcações de Montanha e Mangabal e de Daje Kapap Eypi, que os pariwat chamam de Terra Indígena Sawre Muybu. Já faz muitos anos que estamos enfrentando de frente os invasores que destroem nosso rio e nossa terra com garimpo ilegal ou tirando madeira e palmito. Mas cada vez que protegemos mais os nossos territórios, que lutamos mais por direitos, encontramos mais ameaças.

A luta do povo Munduruku e de Montanha e Mangabal é uma luta só. Juntos nós ocupamos Belo Monte, demarcamos Daje Kapap Eypi, demarcamos Montanha e Mangabal, fizemos os nossos protocolos de consulta, ocupamos a Transamazônica, falamos pros políticos de Brasília e de Itaituba que somos contra as barragens, o Ferrogrão, a invasão da soja… Já fizemos muito juntos e vamos continuar fazendo. Todos esses projetos são de morte, e o rio Tapajós é a nossa vida, de todos nós. Nós, Munduruku e ribeirinho, somos do mesmo rio, somos do mesmo sangue, somos da mesma floresta. Fomos criados juntos, no mesmo território, no mesmo rio. Se mexer com os ribeirinhos, que estão com a gente na luta, mexeu com o povo Munduruku também

sawe!

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Movimento Munduruku Ipereg Ayu põe fogo em máquinas de garimpeiros no rio Kaburua

Nós temos denunciado muito para as autoridades MPF, Funai, Ibama, ICMbio e nada foi feito, por isso que nós guerreiras e guerreiros do Movimento fizemos uma nova ação, dessa vez no rio Kaburua, que cai no rio das Tropas.

No caminho encontramos com embarcações carregadas de combustível para o garimpo. E encontramos mais um acampamento, dessa vez a gente não esperou, tocamos fogo nas máquinas que encontramos.

Na volta para Jacareacanga, na beira do rio encontramos outra balsa que já ia carregada de combustível para outros garimpos e eles fingem que ajudam o povo Munduruku levando cadeiras da escola que a prefeitura manda. Mas as escolas Munduruku estão ficando vazias, mas não é por falta de cadeira é porque os pariwats estão levando os jovens para o garimpo.

Esses garimpeiros também recebem apoio no transporte de combustível de funcionários da SESAI que usam a voadeira e o motor para levar máquina e gasolina no garimpo.

SAWE!!

 

Comunicado do Movimento Iperegayu aos pariwat

logo iperegayu

Ontem de madrugada (13 de fevereiro), às 3 horas, os guerreiros e caciques do Movimento juntos com associações decidiram ocupar a delegacia do município de Jacareacanga.

No Entanto os guerreiros quando chegaram a delegacia foi encontrado totalmente abandonado pelos policias

Nosso protesto é porque as autoridades não respondem nossas denúncias e quando Agente denuncia para a justiça muitas vezes a justiça não toma providências, a polícia não prende os bandidos e traficantes e eles permanecem na cidade cometendo crime uma vez quando são preso   esses bandidos  pela policia, maioria das vezes a policia libera, e assim mais violência, prostituição, bebida e drogas aumentam na cidade de Jacareacanga.

Nosso parente Elinaldo  Tome  Akay Munduruku foi morto e antes dele outros também já foram assassinados brutalmente pelos bandidos e a policia só faz ir nos garimpeiros , dos traficantes pegar propina.

Antes o Secretário de Segurança Pública veio aqui em jacareacanga, fez promessa, mas só o que ficou aqui foi so prédio da delegacia. Os bandidos não vão entrar sozinhos na delegacia.

Nós estávamos fazendo nossa III feira tradicional Munduruku, para mostrar nossa produção. Mas as cacicas, caciques e guerreiros queriam protestar contra a morte do nosso parente.

Se nada for feito só ficarão nós mulheres chorando pelas nossas filhas que são levadas embora e pelos nossos filhos que são mortos ou ficam drogados pelo veneno dos pariwats.

Vamos continuar lutando e só sairemos daqui quando o governo do estado principalmente o secretário de segurança pública atender presencialmente  nossas reivindicações relativo a segurança do nosso município e comunicamos que so entregaremos a delegacia quando secretario de segurança vier nos ouvir com máxima urgências .

Exigimos uma reunião de urgência com os autoridades de segurança do estado, MPF,MPPA para  atender as nossas reivindicações em Jacareacanga .

Exigimos troca de delegado que atua em Jacareacanga.

Exigimos que o estado mostra a sua política de segurança para nosso povo Munduruku  e  Município  de Jacareacanga, aumentando o número de contingente.

Exigimos ainda que mandem a polícia de respeito, digno que realmente dê segurança para cidadão de bem como rege a legislação.

Exigimos também que o estado dê apoio para os policiais para que eles possam realizar seus trabalhos de forma digno como; apoio em alimentação, combustível, equipamentos, reforma de prédio, manutenção de viaturas e outros.

Movimento Ipereg Ayu

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Comunicado às autoridades de Jacareacanga e do Estado do Pará

logo iperegayu

Estamos em luto e em luta.

Sabemos que existe aqui em Jacareacanga,  o aumento de tráfico de drogas, consumo de álcool exagerado e aumento de assaltos e assassinatos, aumento da prostituição e da exploração sexual de crianças. Toda essa violência é por causa dos garimpos, dos portos, e das barragens que já foram feitas.

Toda essa violência é porque os pariwat estão  entrando com suas doenças e ganancias em nosso território. Estão se juntando com nossas meninas e levando elas para outros municípios e até cidades e os órgãos dos pariwats que deviam proteger as crianças não fazem nada.

Antes nosso irmão  Lelo Akay, Nete boro,Marly Borõ, com 19 anos, foi estuprada, espancada e morta violentamente; depois do Lelo morreram mais parentes sem respostas da justiça : Geiziane Kaba e por último e também vítima de assalto nesse mesmo mês, Elinaldo tome  Akay. Quantos Munduruku  vão precisar morrer para que respeitem nosso território e nossos direitos?

Após da morte do nosso parente Lelo Akay, em 22 de junho de 2012, o governo do Estado do Pará, o antigo secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social LUIZ FERNANDES ROCHA, juntamente com governado do estado Simão Jatene receberam uma comissão dos indígenas onde  se comprometeram com o povo Munduruku de nos ajudar combater  tanta violência nesse município. Até hoje, em 2018, a maioria dessas promessas não foram cumpridas.

Queremos que nosso povo seja capacitado, pelo menos 10 munduruku para trabalharem com segurança e  apoio a Família do parente falecido. Nós estamos aqui denunciando juntamentes com as familiares dos assassinados e agora estamos na cidade de Jacareacanga manifestando contra toda essa violência contra o povo Munduruku e população de Jacareacanga.

Queremos resposta da investigação do incêndio onde o nosso irmão morreu queimado Renato poxo 04 de agosto 2017  .

Não somos inimigos da cidade, mas queremos justiça pela violência contra nós. Porque a internet, nos blogs e no face tem falado mentiras contra o Movimento, e não falam dos pariwats que mentem, roubam e matam nossos parentes.

Queremos respostas urgentes dos autoridades de seguranças publica do estado pará

Queremos saber o que as autoridades vão fazer?

Atenciosamente,

Movimento Ipereg Ayu

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NOTA DE REPUDIO SOBRE A MORTE DO PARENTE ELINALDO TOMÉ AKAY

Na manhã da terça-feira, dia 06, acordamos com a notícia triste da morte do nosso parente Elinaldo Tomé Akay, nosso irmão munduruku, que foi assassinado aqui no Jacareacanga.

Ele era filho do cacique Edmundo da aldeia Katõ, sobrinho do cacique geral Arnaldo Kabá, estava trabalhando e tinha largado os estudos. Não acompanha as ações do movimento Ipereg Ayu e não estava na nossa última ação contra o garimpo que aconteceu no Rio das Tropas.

Ainda não sabemos o motivo da morte nem quem o matou. Mas a forma como foi morto foi muito violenta e o Movimento se posiciona em apoio solidário aos parentes do Katõ e espera que o crime seja esclarecido e tomadas providências. Este é o segundo caso de violência contra os Munduruku nesse ano e nessa região, lembrando Raimundo Saw Munduruku que foi baleado por um policial militar à paisana na Aldeia Praia do índio.

Não entendemos que a morte do nosso parente seja uma vingança contra o Movimento, mas sim causada por essas situações que trazem os próprios Pariwat com o seu modelo de sociedade, garimpo, poluição das águas, grandes projetos, como barragens e hidrovias, exploração sem respeito com o povo. As consequências disso são muito tristes para nosso povo, como a exploração sexual, tráfico de drogas, consumo de álcool nas aldeias, aumento da violência e os conflitos entre nossos parentes. Há falta de perspectivas dos jovens que se formam para arrumar trabalho e também uma grande omissão dos órgãos que deveriam cuidar desses assuntos.

O garimpo hoje, a construção das barragens do Teles Pires e São Manoel foram as portas de entrada dessa violência contra nosso povo. Trouxe destruição dos nossos locais sagrados e sujou de sangue e mercúrio as águas do Idixidi.

O Movimento trabalha no nosso plano de vida e para manter uma boa convivência, fazendo ações educativas com os pariwat garimpeiros para que eles entendam quais são as consequências para a floresta, nossa cultura e nossa vida, mas se mesmo assim nossas áreas não forem respeitadas,  tomaremos ações repressivas.

SAWÈ!

Movimento Ipereg Ayu

07 de fevereiro de 2018