Mulheres Munduruku se encontram no Médio Tapajós

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Nós mulheres Munduruku do médio e alto Tapajós fizemos o nosso III encontro de mulheres na aldeia Sawre Muybu (Território Daje Kapap Eipi) no período de 30 de janeiro a 02 de fevereiro 2019. Decidimos continuar resistindo, defendendo a vida dos nossos filhos, mostrando e ensinando o caminho sem ganância, sem doenças, sem ameaças para nosso povo. Não trocamos a vida dos nossos filhos pelas hidrelétricas, mineração, portos, concessão florestal, ferrovia e hidrovia. O governo e as empresas continuam matando a nossa mãe terra. Já mataram a mãe dos nossos peixes como Karobixexe e Dekoka’a. Agora, o novo governo não é diferente é o mesmo pariwat inimigo dos povos indígenas.
Estamos aqui mandando o recado: não trocamos e nem negociamos a vida do nosso povo! A cada dia, a cada minuto, o governo Bolsonaro quer acabar com o nosso direito, com nosso território, nossa educação, nossa saúde -querendo cumprir uma promessa antiga de municipalizar e desmontar toda a saúde indígena – e com isso, acabar com a vida dos nossos filhos.
O governo não respeita e nunca respeitou os nossos direitos de viver na terra, sempre está atrás do lucro. Nós repudiamos essa MP 870 e os decretos que completam os ataques contra os povos indígenas e que ameaçam nossas terras, passando a demarcação para o Ministério da Agricultura, para as mãos sujas de sangue indígena dos ruralistas, comedores de floresta e plantadores de cana e soja envenenadas. Será que agora vamos ter que fazer plantão no Ministério da Agricultura ou no Incra de Brasília para ter nossas terras demarcadas? Nós não aceitamos essas mudanças que vão impactar nossas vidas feitas sem consulta aos povos indígenas. O Governo está rasgando a Convenção 169 da OIT, o nosso Protocolo de Consulta e declarando guerra contra os povos indígenas.
Além de tudo, os políticos e empresários são surdos aos reclames da nossa Awaydip (floresta). Mas nós a escutamos e sabemos que a cada barragem construída, um dedo do tatu que sustenta o planeta é cortado. É por isso todo esse desequilíbrio, essas mortes, essas tragédias. São provocadas pelo pariwat e todos nós sofremos. Nós nos solidarizamos com nossos parentes Pataxó Hãe Hãe Hãe e Krenak, que sofrem com a morte dos seus rios e com todos aqueles que foram vítimas desses crimes cometidos pelas mineradoras. Nós também estamos ameaçados por empresa de mineração como a Rio Vermelho, que já está destruindo nossos locais sagrados e por muitas outras que tem requerimento no ANM pra explorar nossas terras. E sabemos que o Governo quer autorizar esse tipo de projeto de morte dentro de terra indígena. Mas nós NÃO VAMOS ACEITAR!
Por isso, como nossos ancestrais, queremos a cabeça desses governantes! Vamos continuar fazendo a autodemarcação do nosso território, nossos encontros de mulheres, fortalecendo a nossa luta e a nossa autonomia junto com os pajés, guerreiros e caciques.
Vamos seguir defendendo a casa dos nossos antepassados, do nosso povo Munduruku para que as futuras gerações, nossos filhos e netos, tenham o território garantido, possam continuar existindo do nosso modo e cultivando nosso bem viver. SAWE.

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Mujeres Munduruku se encuentran en el Medio Río Tapajós

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Nosotras, mujeres Munduruku del Medio y Alto Río Tapajós hicimos nuestro III Encuentro de Mujeres, en la aldea Sawre Muybu (Territorio Daje Kapap Eipi), en el periodo del 30 de enero al 02 de febrero de 2019. Decidimos continuar resistiendo, defendiendo la vida de nuestros hijos, practicando y enseñando el camino sin avaricia, sin enfermedades, sin amenazas para nuestro pueblo. No intercambiaremos la vida de nuestros hijos por las hidroeléctricas, minería, puertos, concesión forestal, ferrocarriles e hidrovías. El gobierno y las empresas siguen asesinando a nuestra madre tierra. Ya asesinaron a la madre de nuestros peces como Karobixexe y Dekoka’a. Ahora, el nuevo gobierno no es distinto, es el mismo pariwat (no indígena) enemigo de los pueblos indígenas. Estamos aquí enviándoles un mensaje: ¡no intercambiamos, ni negociamos la vida de nuestro pueblo! A cada día, a cada minuto, el gobierno Bolsonaro quiere terminar con nuestro derecho, con nuestro territorio, nuestra educación, nuestra salud – buscando cumplir una promesa antigua de municipalizar y desarmar toda la salud indígena – y con esto, terminar con la vida de nuestros hijos. El gobierno no respeta y nunca ha respetado nuestro derecho de vivir en la tierra, siempre está buscando la ganancia. Nosotras repudiamos la MP 870 y los decretos que complementan los ataques en contra los pueblos indígenas y que amenazan nuestras tierras, transfiriendo la demarcación de los territorios indígenasal Ministerio de la Agricultura, a las manos sucias de sangre indígena de los ruralistas(terratenientes y sus aliados), devoradores de la selva y sembradores de caña y soya envenenadas. ¿Es posible que ahora tendremos que hacer plantones en el Ministerio de Agricultura o en el INCRA de Brasília para tener nuestras tierras demarcadas? Nosotras no aceptamos estos cambios que van impactar en nuestras vidas, hechos sin la consulta a los pueblos indígenas. El Gobierno está rasgando el Convenio 169 de la OIT, nuestro Protocolo de Consulta y está declarando guerra en contra de los pueblos indígenas. Además de todo esto, los políticos y empresarios son sordos a los reclames de nuestra Awaydip (selva). Pero nosotras la escuchamos y sabemos que a cada represa construida un dedo de armadillo que sostiene el planeta es cortado. Es por esa razón todo este desequilibrio, estas muertes, estas tragedias. Son ocasionadas por el pariwat y todos y todas sufrimos. Nosotras nos solidarizamos con nuestros parientes Pataxó Hãe Hãe Hãe e Krenak, que han sufrido por la muerte de sus ríos y con todos aquellos que fueron victimas de estos crímenes cometidos por las mineras. Nosotras también estamos amenazadas por empresas de minería como la Rio Vermelho, que ya está destruyendo nuestros lugares sagrados y por muchas otras que tienen solicitudes en la ANM (Agencia Nacional de Minería) para explotar nuestras tierras. Y sabemos que el Gobierno quiere permitir este tipo de proyectos de muerte adentro de las tierras indígenas.¡Pero nosotras NO LO VAMOS ACEPTAR! ¡Por esto, como nuestros ancestros, queremos la cabeza de estos gobernantes! Vamos continuar haciendo la autodemarcación de nuestro territorio, nuestros encuentros de mujeres, fortaleciendo nuestra lucha y nuestra autonomía junto con los chamanes, guerreros y jefes de aldea. Vamos continuar defendiendo la casa de nuestro ancestros, de nuestro pueblo Munduruku para que las generaciones futuras, nuestros hijos y netos, tengan garantizado su territorio, puedan continuar existiendo de nuestra forma propia y cultivando nuestro buen vivir. SAWE.

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III Feira Tradicional Munduruku: nossa arte é nossa resistência

Nós da Associação de Mulheres Munduruku Wakoborun, Associação Pariri e Movimento Munduruku Ipereg Ayu, realizamos nossa III Feira Tradicional Munduruku, que iniciou na cidade de Itaituba no dia 29, 30 e 31 de agosto e teve continuidade no dia 01, 02, 03 na cidade de Jacareacanga.

Com o objetivo reunir nossa produção de artesanatos e alimentos tradicionais das aldeias da região, a Feira promoveu mais uma vez, a troca de experiências sobre os nossos processos autônomos de manejo, de produção de artesanatos, de geração de renda que vão ao encontro da elaboração do nosso Plano de Vida Munduruku mantendo como horizonte o respeito e preservação do território, da floresta, dos rios e dos locais sagrados.

Na III Feira, tivemos a presença de diversos artesãos, caciques, lideranças, puxadores, professores, cantores e cantoras, jovens e crianças, e foi pensada pelas mulheres Munduruku e é também um espaço para formação política de gestão e proteção territorial.

Para nós mulheres, não é prioridade vender todos os artesanatos na realização das Feiras, mas sim demonstrar mais uma vez nossa capacidade de construir nossa autonomia com nossa arte que é fruto da nossa resistência. Decidimos realizar a III Feira em Itaituba, para reforçar a nossa união alto e médio Tapajós. Marcar presença nas cidades: Itaituba e Jacareacanga – onde enfrentamos no dia a dia o preconceito dos pariwat (não índios) – é mostrar que continuamos aqui, (r) existindo e que essas são cidades parte do nosso território, a Mundurukânia.

Agradecemos todos os apoiadores e colaboradores que acreditam na nossa luta, e anunciamos que vamos continuar realizando nossas Feiras, pois este é o caminho que queremos construir e ensinar aos nossos filhos! Sawe!

Carta del III Encuentro de las Mujeres Munduruku

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Nosotros, reunidos en la aldea Patauazal en la Tierra Indígena Munduruku, entre los días 08 y 11 de julio de 2018, nos encontramos para platicar sobre las amenazas y discriminaciones que estamos sufriendo y los proyectos que el gobierno pariwat intenta imponer en nuestro territorio, como presas, hidrovía, ferrocarril, puertos, minería, concesión forestal (Flona Itaituba I y II y Flona Crepori), invasión de madereros y garimpos, que impactan a la vida de las mujeres, de los hombres, de los jóvenes y de los niños Mundurukus.

Hemos decidido continuar fortalecidos, en alianza de lucha con la Asociación Wakoborun, Asociación Pariri, Asociación Da’uk y Movimiento Munduruku Ipereg Ayu, pues nunca vamos a parar de luchar por nuestro río y por nuestro territorio libre de los proyectos de muerte. Estamos defendiendo el río que es como la leche materna que les damos todos los días a nuestros hijos. La tierra es nuestra madre, la tenemos respecto (Ipi Wuyxi Ibuyxin Ikukap) y nunca vamos a negociar.

Vamos a seguir con nuestro Movimiento Ipereg Ayu – con nuestros equipos de guerreros y guerreras – y continuar luchando por nuestra tierra, como nos ha dejado nuestro Dios Karosakaybu y nos han orientado nuestros ancestros. Vamos a seguir el camino de la autonomía de nuestro pueblo para mantener nuestro territorio libre para nuestras futuras generaciones.

Estamos caminando en la construcción de nuestro plan de vida, platicando con las mujeres sobre nuestro buen vivir, sobre nuestra educación propia, sobre nuestra autonomía. Nosotras, mujeres, mostramos nuestro trabajo en los hechos. Nosotras sabemos seguir nuestro camino sin veneno y sin avaricia!

No queremos que el gobierno traiga solo proyectos de muerte, queremos que valoricen nuestra vida, nuestro trabajo y nuestra producción. No somos iguales a ustedes pariwat, que deforestan los bosques sin necesidad. Somos guerreros y guerreras Mundurukus y vamos a seguir practicando la autodemarcación de nuestros territorios, capacitación de los jóvenes, formación y encuentro de las mujeres y nuestros Mercados Mundurukus.

Sabemos que no estamos solas, tenemos nuestras alianzas con otros pueblos y comunidades ribereñas que saben seguir su propio camino. Por esto, no vamos a entregar nuestro territorio para el gobierno.

Vamos siempre a decidir por nosotros mismos, por nuestro territorio, por nuestro río!

Somos la semilla de la resistencia Munduruku!

Associação das Mulheres Munduruku Wakoborun

Associação Pariri

Associação Da’uk

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

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Carta do III Encontro das Mullheres Munduruku

Nós, reunidos na aldeia Patauazal na Terra Indígena Munduruku, durante os dias 08 a 11 de julho de 2018,  nos encontramos para discutir sobre as ameaças e discriminações que estamos sofrendo e os projetos que o governo pariwat tenta impor para nosso território como as barragens, hidrovia, ferrovia, portos, mineração, concessão florestal (Flona Itaituba I e II e Flona Crepori) invasão de madeireiros e garimpos, que impactam a vida das mulheres, dos homens, dos jovens e das crianças Munduruku.

Estamos decididos continuar fortalecidos em aliança de luta com a Associação Wakoborun, Associação Pariri, Associação Da’uk e Movimento Munduruku Ipereg Ayu pois nunca vamos parar de lutar pelo nosso rio e pelo nosso território livre dos projetos de morte. Estamos defendendo o rio que é como nosso leite materno que damos todos dias para nossos filhos. A terra é nossa mãe, temos respeito (Ipi Wuyxi Ibuyxin Ikukap) e nunca vamos negociar.

Vamos continuar com o nosso Movimento Ipereg Ayu – com nossos grupos de guerreiras e guerreiros – e continuar lutando pela nossa terra, como deixou o nosso Deus Karosakaybu e nos orientou os nossos antepassados. Vamos seguir o caminho da autonomia do nosso povo para manter o nosso território livre para nossas futuras gerações.

Estamos caminhando na construção do nosso plano de vida, discutindo com as mulheres sobre o nosso bem viver, sobre a nossa educação própria, sobre a nossa autonomia. Nós mulheres mostramos nosso trabalho na prática. Nós sabemos seguir o nosso caminho sem veneno e sem ganância!

Não queremos que o governo traga só projeto de morte, queremos que valorizem a nossa vida, nosso trabalho e nossa produção. Não somos iguais vocês pariwat, que desmatam a floresta sem necessidade. Somos guerreiras e guerreiros Munduruku e vamos continuar fazendo a autodemarcação dos nossos territórios, capacitação dos jovens, formação e encontro das mulheres e nossa Feiras Munduruku.

Sabemos que não estamos só, temos nossas alianças com outros povos e comunidades ribeirinhas que sabem seguir o seu próprio caminho. Por isso, não vamos entregar nosso território para o governo.

Vamos sempre decidir por nós, pelo nosso território, pelo nosso rio!

Nós somos a semente da resistência Munduruku!

Associação das Mulheres Munduruku Wakoborun

Associação Pariri

Associação Da’uk

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

 

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A luta Munduruku é nossa luta – queremos proteção pra mulheres guerreiras Munduruku

Nos do Conselho de Gestão Ka’apor ficamos sabendo da operação Pajé Brabo nas florestas próximas ao território dos nossos parentes Munduruku.

Sabemos que pajé brabo na cultura dos nossos parentes é aquele que anda fazendo mal para outros parentes. É isso que as maquinas de garimpos estão fazendo com nossos parentes Munduruku. Estão fazendo um grande mal para todos os povos indígenas.

 

Nós do Conselho Gestão Ka’apor decidimos nos reunir em nosso 2o. Tempo-Formação de nosso Projeto Ka’a namo Jumu’eha katu – Aprendendo com a Floresta,  manifestar sobre essa operação que houve contra garimpo na terra dos patentes munduruku. Sabemos que não é bom ter karaí armado nas nossas terras, nem do governo, nem dos madeireiros.  E nós sabemos também que é dever do governo proteger as terras indígenas. Eles não combinam com a gente pra fazer. Essa é uma ação importante, porque acompanhamos a luta do Movimento Ipereg Ayu para proteger seu território contra as barragens do governo e contra a ganancia dos garimpeiros.

Nós ka’apor denunciamos e resistimos junto com nossos parentes munduruku a todo projeto que não respeita nossa vida, nem garimpo, nem madeireiras, nem barragens, nada disso faz bem para o nosso povo.

Sabemos que sempre depois de uma operação como essa os inimigos do povo indígena se armam contra a gente para matar. Foi assim que perdemos muitas lideranças do nosso povo Ka’apor.

Por isso queremos ser solidários com nossos parentes munduruku do Movimento Ipereg Ayu e dizer que apoiamos sua luta que estamos contentes porque as mulheres se organizaram na associação Wakoborun para apoiar o Movimento Ipereg Ayu na luta pelo caminho verdadeiro do povo, longe de barragens e longe de garimpos.

Também queremos pedir as autoridades que protejam as mulheres do Movimento que estão levando a frente a luta e que hoje estão ameaçadas de morte por garimpeiros karaí e parentes garimpeiros que estão sendo usados e enganados pelos karai.  Estão fazendo do jeito karai pra destruir nossos territórios e sua própria vida.

 

Nós do Conselho estamos acompanhando tudo prontos para nos juntarmos a essa luta.

 

Terra Indígena Turiaçu,   7 de maio de 2018

 

Conselho de Gestão Ka’apor

Guarda Florestal Ka’apor

Sementes da Agrofloresta Ka’apor

3º comunicado das mulheres Munduruku sobre a fiscalização contra garimpo.

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Nós mulheres do Movimento Ipereg Ayu, junto com os caciques, guerreiros, associação Wakoborun, associação Wyxaxima, associação Aro e associação Pusuru  falamos agora do meio de mais um garimpo que está acabando com a Terra Munduruku.

Fizemos a nossa assembleia extraordinária de 28 a 30 de março na aldeia Caroçal rio das Tropas. Choramos por tudo o que está acontecendo em nosso território. A falta de peixes, e as doenças e a prostituição e drogas e uso de bebidas alcoólicas pelos jovens e violências e a cooptação de homens Munduruku. Tudo isso aumenta com a entrada dos garimpeiros pariwats.

Estamos muito bravas e tristes e desapontadas com as autoridades como Funai, Ibama Icmbio que deveriam ajudar a proteger nossas terras mas deixaram cair nas mãos dos garimpeiros pariwats.

Há cinco anos o Movimento Ipereg Ayu e mulheres que agora se organizam na associação Wakoborun estão denunciando os males do garimpo que está causando para o nosso povo. Como não recebemos apoio de nenhum órgão, nós mesmos decidimos fiscalizar e proteger nossa terra. Já fizemos ação na aldeia PV e no rio Caburuá aonde queimamos máquina de garimpeiro.

Agora nós fomos no igarapé Mapari que joga suas águas no rio das Tropas, aonde tem um garimpo grande com pista de pouso dentro da terra indígena Munduruku, saímos da aldeia Nova Esperança nas margens do rio das Tropas e entramos pela mata, levamos 5 horas para chegar nesse garimpo.

Viemos nós mulheres com bebês de colo, os caciques e guerreiros e avisamos para se retirarem todos os pariwats.

Descobrimos que o dono de uma das máquinas se chama Emerson de Novo Progresso e o gerente do garimpo é Amarildo Nascimento do município de Trairão. Na hora encontramos 20 garimpeiros, 2 PC, 3 pares de maquinas e um jerico.

Isso é muito perigoso para nós. Não queríamos deixar nossas roças e aldeias para ter de fazer o trabalho da Funai e dos outros órgãos, mas seria pior deixar acabar o futuro dos nossos filhos. Eles dependem dos rios limpos, livre de garimpo, livre de barragens e com a floresta que nós sabemos cuidar. Se acontecer alguma coisa com nós mulheres ou lideranças do Movimento nós responsabilizamos o Estado e seus órgãos que não fazem nada.

Fomos de novo na aldeia PV fomos recebidos por munduruku bêbados e armados com revolveres que nos ameaçaram. Vimos jovens bêbados e drogados e muitos pariwats, todos ameaçando os guerreiros que estavam com seus arcos e flechas. Ameaçaram a coordenação do Movimemto Ipereg Ayu Ana Poxo, Maria Leusa, cacicas e também o cacique Geral.

No total encontramos 14 PC que conseguimos encontrar e havia muito mais pois não chegamos nos outros garimpos. Pá de máquinas nós contamos 22 e 5 jericos trabalhando com 200 pariwats, fora os que se esconderam com medo ou para não serem reconhecidos pelos guerreiros.

São 24 indígenas que fizeram parceria com os pariwats para envenenar as águas do rio das Tropas e enriquecer deixando nosso povo que tem mais de 13 mil pessoas com as doenças e a água envenenada.

Nós do povo munduruku já decidimos nossa terra não é lugar de pariwat!

 

Sawe, sawe, sawe

 

Movimento Ipereg Ayu

Associação das mulheres munduruku Wakoborun

 

Rio das Tropas, 03 de abril de 2018