III Feira Tradicional Munduruku: nossa arte é nossa resistência

Nós da Associação de Mulheres Munduruku Wakoborun, Associação Pariri e Movimento Munduruku Ipereg Ayu, realizamos nossa III Feira Tradicional Munduruku, que iniciou na cidade de Itaituba no dia 29, 30 e 31 de agosto e teve continuidade no dia 01, 02, 03 na cidade de Jacareacanga.

Com o objetivo reunir nossa produção de artesanatos e alimentos tradicionais das aldeias da região, a Feira promoveu mais uma vez, a troca de experiências sobre os nossos processos autônomos de manejo, de produção de artesanatos, de geração de renda que vão ao encontro da elaboração do nosso Plano de Vida Munduruku mantendo como horizonte o respeito e preservação do território, da floresta, dos rios e dos locais sagrados.

Na III Feira, tivemos a presença de diversos artesãos, caciques, lideranças, puxadores, professores, cantores e cantoras, jovens e crianças, e foi pensada pelas mulheres Munduruku e é também um espaço para formação política de gestão e proteção territorial.

Para nós mulheres, não é prioridade vender todos os artesanatos na realização das Feiras, mas sim demonstrar mais uma vez nossa capacidade de construir nossa autonomia com nossa arte que é fruto da nossa resistência. Decidimos realizar a III Feira em Itaituba, para reforçar a nossa união alto e médio Tapajós. Marcar presença nas cidades: Itaituba e Jacareacanga – onde enfrentamos no dia a dia o preconceito dos pariwat (não índios) – é mostrar que continuamos aqui, (r) existindo e que essas são cidades parte do nosso território, a Mundurukânia.

Agradecemos todos os apoiadores e colaboradores que acreditam na nossa luta, e anunciamos que vamos continuar realizando nossas Feiras, pois este é o caminho que queremos construir e ensinar aos nossos filhos! Sawe!

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Carta del III Encuentro de las Mujeres Munduruku

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Nosotros, reunidos en la aldea Patauazal en la Tierra Indígena Munduruku, entre los días 08 y 11 de julio de 2018, nos encontramos para platicar sobre las amenazas y discriminaciones que estamos sufriendo y los proyectos que el gobierno pariwat intenta imponer en nuestro territorio, como presas, hidrovía, ferrocarril, puertos, minería, concesión forestal (Flona Itaituba I y II y Flona Crepori), invasión de madereros y garimpos, que impactan a la vida de las mujeres, de los hombres, de los jóvenes y de los niños Mundurukus.

Hemos decidido continuar fortalecidos, en alianza de lucha con la Asociación Wakoborun, Asociación Pariri, Asociación Da’uk y Movimiento Munduruku Ipereg Ayu, pues nunca vamos a parar de luchar por nuestro río y por nuestro territorio libre de los proyectos de muerte. Estamos defendiendo el río que es como la leche materna que les damos todos los días a nuestros hijos. La tierra es nuestra madre, la tenemos respecto (Ipi Wuyxi Ibuyxin Ikukap) y nunca vamos a negociar.

Vamos a seguir con nuestro Movimiento Ipereg Ayu – con nuestros equipos de guerreros y guerreras – y continuar luchando por nuestra tierra, como nos ha dejado nuestro Dios Karosakaybu y nos han orientado nuestros ancestros. Vamos a seguir el camino de la autonomía de nuestro pueblo para mantener nuestro territorio libre para nuestras futuras generaciones.

Estamos caminando en la construcción de nuestro plan de vida, platicando con las mujeres sobre nuestro buen vivir, sobre nuestra educación propia, sobre nuestra autonomía. Nosotras, mujeres, mostramos nuestro trabajo en los hechos. Nosotras sabemos seguir nuestro camino sin veneno y sin avaricia!

No queremos que el gobierno traiga solo proyectos de muerte, queremos que valoricen nuestra vida, nuestro trabajo y nuestra producción. No somos iguales a ustedes pariwat, que deforestan los bosques sin necesidad. Somos guerreros y guerreras Mundurukus y vamos a seguir practicando la autodemarcación de nuestros territorios, capacitación de los jóvenes, formación y encuentro de las mujeres y nuestros Mercados Mundurukus.

Sabemos que no estamos solas, tenemos nuestras alianzas con otros pueblos y comunidades ribereñas que saben seguir su propio camino. Por esto, no vamos a entregar nuestro territorio para el gobierno.

Vamos siempre a decidir por nosotros mismos, por nuestro territorio, por nuestro río!

Somos la semilla de la resistencia Munduruku!

Associação das Mulheres Munduruku Wakoborun

Associação Pariri

Associação Da’uk

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

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Carta do III Encontro das Mullheres Munduruku

Nós, reunidos na aldeia Patauazal na Terra Indígena Munduruku, durante os dias 08 a 11 de julho de 2018,  nos encontramos para discutir sobre as ameaças e discriminações que estamos sofrendo e os projetos que o governo pariwat tenta impor para nosso território como as barragens, hidrovia, ferrovia, portos, mineração, concessão florestal (Flona Itaituba I e II e Flona Crepori) invasão de madeireiros e garimpos, que impactam a vida das mulheres, dos homens, dos jovens e das crianças Munduruku.

Estamos decididos continuar fortalecidos em aliança de luta com a Associação Wakoborun, Associação Pariri, Associação Da’uk e Movimento Munduruku Ipereg Ayu pois nunca vamos parar de lutar pelo nosso rio e pelo nosso território livre dos projetos de morte. Estamos defendendo o rio que é como nosso leite materno que damos todos dias para nossos filhos. A terra é nossa mãe, temos respeito (Ipi Wuyxi Ibuyxin Ikukap) e nunca vamos negociar.

Vamos continuar com o nosso Movimento Ipereg Ayu – com nossos grupos de guerreiras e guerreiros – e continuar lutando pela nossa terra, como deixou o nosso Deus Karosakaybu e nos orientou os nossos antepassados. Vamos seguir o caminho da autonomia do nosso povo para manter o nosso território livre para nossas futuras gerações.

Estamos caminhando na construção do nosso plano de vida, discutindo com as mulheres sobre o nosso bem viver, sobre a nossa educação própria, sobre a nossa autonomia. Nós mulheres mostramos nosso trabalho na prática. Nós sabemos seguir o nosso caminho sem veneno e sem ganância!

Não queremos que o governo traga só projeto de morte, queremos que valorizem a nossa vida, nosso trabalho e nossa produção. Não somos iguais vocês pariwat, que desmatam a floresta sem necessidade. Somos guerreiras e guerreiros Munduruku e vamos continuar fazendo a autodemarcação dos nossos territórios, capacitação dos jovens, formação e encontro das mulheres e nossa Feiras Munduruku.

Sabemos que não estamos só, temos nossas alianças com outros povos e comunidades ribeirinhas que sabem seguir o seu próprio caminho. Por isso, não vamos entregar nosso território para o governo.

Vamos sempre decidir por nós, pelo nosso território, pelo nosso rio!

Nós somos a semente da resistência Munduruku!

Associação das Mulheres Munduruku Wakoborun

Associação Pariri

Associação Da’uk

Movimento Munduruku Ipereg Ayu

 

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A luta Munduruku é nossa luta – queremos proteção pra mulheres guerreiras Munduruku

Nos do Conselho de Gestão Ka’apor ficamos sabendo da operação Pajé Brabo nas florestas próximas ao território dos nossos parentes Munduruku.

Sabemos que pajé brabo na cultura dos nossos parentes é aquele que anda fazendo mal para outros parentes. É isso que as maquinas de garimpos estão fazendo com nossos parentes Munduruku. Estão fazendo um grande mal para todos os povos indígenas.

 

Nós do Conselho Gestão Ka’apor decidimos nos reunir em nosso 2o. Tempo-Formação de nosso Projeto Ka’a namo Jumu’eha katu – Aprendendo com a Floresta,  manifestar sobre essa operação que houve contra garimpo na terra dos patentes munduruku. Sabemos que não é bom ter karaí armado nas nossas terras, nem do governo, nem dos madeireiros.  E nós sabemos também que é dever do governo proteger as terras indígenas. Eles não combinam com a gente pra fazer. Essa é uma ação importante, porque acompanhamos a luta do Movimento Ipereg Ayu para proteger seu território contra as barragens do governo e contra a ganancia dos garimpeiros.

Nós ka’apor denunciamos e resistimos junto com nossos parentes munduruku a todo projeto que não respeita nossa vida, nem garimpo, nem madeireiras, nem barragens, nada disso faz bem para o nosso povo.

Sabemos que sempre depois de uma operação como essa os inimigos do povo indígena se armam contra a gente para matar. Foi assim que perdemos muitas lideranças do nosso povo Ka’apor.

Por isso queremos ser solidários com nossos parentes munduruku do Movimento Ipereg Ayu e dizer que apoiamos sua luta que estamos contentes porque as mulheres se organizaram na associação Wakoborun para apoiar o Movimento Ipereg Ayu na luta pelo caminho verdadeiro do povo, longe de barragens e longe de garimpos.

Também queremos pedir as autoridades que protejam as mulheres do Movimento que estão levando a frente a luta e que hoje estão ameaçadas de morte por garimpeiros karaí e parentes garimpeiros que estão sendo usados e enganados pelos karai.  Estão fazendo do jeito karai pra destruir nossos territórios e sua própria vida.

 

Nós do Conselho estamos acompanhando tudo prontos para nos juntarmos a essa luta.

 

Terra Indígena Turiaçu,   7 de maio de 2018

 

Conselho de Gestão Ka’apor

Guarda Florestal Ka’apor

Sementes da Agrofloresta Ka’apor

3º comunicado das mulheres Munduruku sobre a fiscalização contra garimpo.

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Nós mulheres do Movimento Ipereg Ayu, junto com os caciques, guerreiros, associação Wakoborun, associação Wyxaxima, associação Aro e associação Pusuru  falamos agora do meio de mais um garimpo que está acabando com a Terra Munduruku.

Fizemos a nossa assembleia extraordinária de 28 a 30 de março na aldeia Caroçal rio das Tropas. Choramos por tudo o que está acontecendo em nosso território. A falta de peixes, e as doenças e a prostituição e drogas e uso de bebidas alcoólicas pelos jovens e violências e a cooptação de homens Munduruku. Tudo isso aumenta com a entrada dos garimpeiros pariwats.

Estamos muito bravas e tristes e desapontadas com as autoridades como Funai, Ibama Icmbio que deveriam ajudar a proteger nossas terras mas deixaram cair nas mãos dos garimpeiros pariwats.

Há cinco anos o Movimento Ipereg Ayu e mulheres que agora se organizam na associação Wakoborun estão denunciando os males do garimpo que está causando para o nosso povo. Como não recebemos apoio de nenhum órgão, nós mesmos decidimos fiscalizar e proteger nossa terra. Já fizemos ação na aldeia PV e no rio Caburuá aonde queimamos máquina de garimpeiro.

Agora nós fomos no igarapé Mapari que joga suas águas no rio das Tropas, aonde tem um garimpo grande com pista de pouso dentro da terra indígena Munduruku, saímos da aldeia Nova Esperança nas margens do rio das Tropas e entramos pela mata, levamos 5 horas para chegar nesse garimpo.

Viemos nós mulheres com bebês de colo, os caciques e guerreiros e avisamos para se retirarem todos os pariwats.

Descobrimos que o dono de uma das máquinas se chama Emerson de Novo Progresso e o gerente do garimpo é Amarildo Nascimento do município de Trairão. Na hora encontramos 20 garimpeiros, 2 PC, 3 pares de maquinas e um jerico.

Isso é muito perigoso para nós. Não queríamos deixar nossas roças e aldeias para ter de fazer o trabalho da Funai e dos outros órgãos, mas seria pior deixar acabar o futuro dos nossos filhos. Eles dependem dos rios limpos, livre de garimpo, livre de barragens e com a floresta que nós sabemos cuidar. Se acontecer alguma coisa com nós mulheres ou lideranças do Movimento nós responsabilizamos o Estado e seus órgãos que não fazem nada.

Fomos de novo na aldeia PV fomos recebidos por munduruku bêbados e armados com revolveres que nos ameaçaram. Vimos jovens bêbados e drogados e muitos pariwats, todos ameaçando os guerreiros que estavam com seus arcos e flechas. Ameaçaram a coordenação do Movimemto Ipereg Ayu Ana Poxo, Maria Leusa, cacicas e também o cacique Geral.

No total encontramos 14 PC que conseguimos encontrar e havia muito mais pois não chegamos nos outros garimpos. Pá de máquinas nós contamos 22 e 5 jericos trabalhando com 200 pariwats, fora os que se esconderam com medo ou para não serem reconhecidos pelos guerreiros.

São 24 indígenas que fizeram parceria com os pariwats para envenenar as águas do rio das Tropas e enriquecer deixando nosso povo que tem mais de 13 mil pessoas com as doenças e a água envenenada.

Nós do povo munduruku já decidimos nossa terra não é lugar de pariwat!

 

Sawe, sawe, sawe

 

Movimento Ipereg Ayu

Associação das mulheres munduruku Wakoborun

 

Rio das Tropas, 03 de abril de 2018

Carta de apoio aos beiradeiros de Montanha e Mangabal

Nós, povo Munduruku do Medio e Alto Tapajós e povo Apiaká, queremos expressar nossa solidariedade aos amigos e companheiros de luta de Montanha e Mangabal, que estão sofrendo ameaças de morte. Dois grandes companheiros já tiveram que sair de suas casas, sem saber quando vão voltar: Chico Caititu (que chamamos de cacique Daje) e Ageu Pereira. As famílias dos dois e do Pedro Braga, que ainda está na comunidade, estão muito preocupadas. E nós também. Até onde vai essa situação?

Sabemos que a nossa luta em defesa do rio Idixidi (Tapajós) e dos nossos territórios incomoda muito, principalmente depois que fizemos, juntos, as autodemarcações de Montanha e Mangabal e de Daje Kapap Eypi, que os pariwat chamam de Terra Indígena Sawre Muybu. Já faz muitos anos que estamos enfrentando de frente os invasores que destroem nosso rio e nossa terra com garimpo ilegal ou tirando madeira e palmito. Mas cada vez que protegemos mais os nossos territórios, que lutamos mais por direitos, encontramos mais ameaças.

A luta do povo Munduruku e de Montanha e Mangabal é uma luta só. Juntos nós ocupamos Belo Monte, demarcamos Daje Kapap Eypi, demarcamos Montanha e Mangabal, fizemos os nossos protocolos de consulta, ocupamos a Transamazônica, falamos pros políticos de Brasília e de Itaituba que somos contra as barragens, o Ferrogrão, a invasão da soja… Já fizemos muito juntos e vamos continuar fazendo. Todos esses projetos são de morte, e o rio Tapajós é a nossa vida, de todos nós. Nós, Munduruku e ribeirinho, somos do mesmo rio, somos do mesmo sangue, somos da mesma floresta. Fomos criados juntos, no mesmo território, no mesmo rio. Se mexer com os ribeirinhos, que estão com a gente na luta, mexeu com o povo Munduruku também

sawe!

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Movimento Munduruku Ipereg Ayu põe fogo em máquinas de garimpeiros no rio Kaburua

Nós temos denunciado muito para as autoridades MPF, Funai, Ibama, ICMbio e nada foi feito, por isso que nós guerreiras e guerreiros do Movimento fizemos uma nova ação, dessa vez no rio Kaburua, que cai no rio das Tropas.

No caminho encontramos com embarcações carregadas de combustível para o garimpo. E encontramos mais um acampamento, dessa vez a gente não esperou, tocamos fogo nas máquinas que encontramos.

Na volta para Jacareacanga, na beira do rio encontramos outra balsa que já ia carregada de combustível para outros garimpos e eles fingem que ajudam o povo Munduruku levando cadeiras da escola que a prefeitura manda. Mas as escolas Munduruku estão ficando vazias, mas não é por falta de cadeira é porque os pariwats estão levando os jovens para o garimpo.

Esses garimpeiros também recebem apoio no transporte de combustível de funcionários da SESAI que usam a voadeira e o motor para levar máquina e gasolina no garimpo.

SAWE!!