Comunicado para autoridades ambientais e MPF, FUNAI

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Nós movimento Munduruku Iperegayu comunicamos, com muita dor e vergonha, que a aldeia PV na Terra Indígena Munduruku não existe mais. O garimpo invadiu tudo corrompeu com doenças nossos parentes e matou a floresta e as roças, trazendo doenças, prostituição, uso de álcool entre os homens e mulheres e drogas entre os mais jovens.

O Garimpo é controlado pelos pariwat  (não indígenas) que pagam parentes para vigiar suas máquinas. A aldeia PV é hoje o principal ponto de doenças e invasões do nosso território, lá tudo é controlado pelos pariwat, a pista de pouso que existia para que o atendimento a saúde pudesse chegar até os moradores, foi mudada de lugar, porque atrapalhava o garimpo.Os pariwat estão armados e deram armas para os parentes defenderem eles.

Muitas vezes o ICMBio, a Funai, o MPF e muitas autoridades foram alertadas sobre esses problemas, mas preferiram ficar nos escritórios ou fazendo reunião. Nada foi feito.

A assembleia do povo munduruku de 2017 decidiu que todos os garimpos deveriam ser fechados. Os caciques do rio das Tropas já não sabem a quem pedir para tirar os garimpeiros.

Nada foi feito e agora os pariwat junto com indígenas gananciosos e doentes querem invadir o rio Kadiridi para abrir novo garimpo.

Por causa desse desespero do nosso povo, nós guerreiros e guerreiras do Movimentos Iperegayu, decidimos:

  • Fazer uma fiscalização contra garimpos e outros invasores no rio Kadiridi, rio das Tropas indo do waretodi até o rio Tapajós
  • Prender e Expulsar todo pariwat da nossa terra
  • Destruir todas as máquinas do garimpo no PV
  • Denunciar os órgãos responsáveis pela proteção das nossas terras por não fazerem nada.

Jacareacanga, 17 de Janeiro de 2018

Movimento Ipereg ayu

Sawe!!!

 

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Garimpeiros procuram ouro no rio Kadiridi, dentro da Terra Indígena Munduruku

 

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Tecendo Alianças de Resistência: compartilhando dores, lutas, esperanças e as vitórias com os povos indígenas de Chiapas/México

Durante os dias 5 a 14 de dezembro, nós mulheres do povo Munduruku: Alessandra Korap (liderança da Associação Indígena Pariri) Maria Leusa Cosme Kaba Munduruku (liderança do Movimento Munduruku Ipereg Ayu) e Ana Vitória Munduruku participamos de atividades e compartilhamos das nossas resistências junto aos movimentos indígenas que estão em Chiapas, no sul do México.

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No dia 05 de dezembro, chegamos em Chiapas-México e nos reunimos na cidade de Chapultenango com o povo Zoque e o Movimento Indígena do Povo Zoque em Defesa da Vida e da Terra (Movimiento Indígena del Pueblo Creyente Zoque en Defensa de La Vida y la Tierra – Zodevite). Esse movimento está começando uma importante luta em defesa do território, reunindo as diversas organizações do povo contra as ameaça dos grandes empreendimentos. Esse ano eles tiveram uma grande vitória, conseguiram suspender o leilão do governo que ia conceder o seu território para a exploração de petróleo.

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No dia 06 de dezembro, seguimos para compartilhar experiências no município de Acteal  com a Organização Sociedade Civil das Abelhas de Acteal (Organización de la Sociedad Civil Las Abejas de Acteal). Essa organização foi criada em 1992 e tem uma história de muita dor e muita luta. Em 1997, 45 parentes dessa organização foram assassinados em um grande massacre promovido por grupos armados, chamados de paramilitares. Sua luta desde então é para não esquecermos desse massacre e para a responsabilização dos culpados por esse crime, que inclui também o próprio Estado Mexicano que formou clandestinamente esses grupos armados e que apesar de estar próximo da comunidade não fez nada para impedir esse massacre. Além dessa luta, a organização também está em resistência contra os grandes empreendimentos que o governo e as empresas querem fazer no seu território.

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No dia 07 de dezembro visitamos o Centro Estadual de Línguas Arte e Licenciatura Indígena em San Cristóbal de Las Casas, centro que foi criado e firmado após o levante zapatista de 1994, nos Acordos de San Andrez. Em Chiapas se falam 12 línguas indígenas. Eles apresentaram para a gente um projeto de formação de jovens indígenas em audiovisual para eles mesmo fazerem vídeos contando a história do seu povo.

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Ainda no dia 07 visitamos a Universidade da Terra. É uma universidade para os jovens indígenas das comunidades, mas que funciona de uma forma bem diferente. Os cursos são escolhidos a partir da demanda e da necessidade das comunidades. Tem cursos de padaria, eletricidade, mecânica, rádio, marcenaria, pintura, musica, escritura, edição de livros e outros. O tempo que cada aluno vai ficar na universidade é decidido por ele e por seus professores, porque cada um tem um tempo diferente de aprender e cada um busca um certo tipo de conhecimento. Os alunos podem fazer vários cursos de uma vez. Quando eles se formam, eles não recebem certificado, a escola é totalmente autônoma e a ideia é que ele possa voltar para a sua comunidade com o conhecimento necessário para apoiá-la.

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No dia 08, 09 e 10 ficamos na Missão Bachajón, no município de Bachajón conhecendo as experiências do governo comunitário e da Cooperativa das Mulheres Bordadoras de Flores. Compartilhamos nossas experiências com o Movimiento en Defensa de la Vida y el Territorio – Modevite/Chilón e Sitalá. Esse movimento surgiu a partir da defesa do território contra a construção de uma estrada que cortaria suas terras e serviria apenas aos estrangeiros e ao capital. A partir dessa luta estão avançando para a construção de governos autônomos, para acabar com a disputa entre partidos no meio das suas comunidades, que vem trazendo só desunião. Eles querem eleger seus representantes conforme seus costumes e organizar o município da sua forma, para atender às suas necessidades. A cooperativa formada por mais de 200 mulheres indígenas também foi uma forma de fortalecer a comunidade através da geração de renda, criando autonomia econômica.

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No dia 11 de dezembro compartilhamos nossas lutas com a Junta de Bom Governo do Caracol de Morelia, território Zapatista, no município de Altamirano. Eles explicaram para a gente o longo caminho de construção da autonomia no seu território. Essa é uma experiência única, que envolve toda as áreas da vida em comunidade, como saúde, educação, justiça comunitária, organização política, produção agroecológica, autodefesa, cooperativas autônomas de artesanato.

 

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No dia 12 de dezembro compartilhamos nossas experiências no Frayba (Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de la Casas A.C.) que se localiza na cidade de San Cristobal de Las Casas. Esse é um centro de direitos humanos que trabalha diretamente com as comunidades acompanhando seus processos de defesa do território e lutando contra a violação de direitos, como casos de tortura, desaparição forçada e deslocamento forçado. Seus princípios são: aprender, compartilhar e acompanhar.

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No dia 13 de dezembro, estivemos na livraria La Cosecha, onde compartilhamos a experiência da luta das mulheres Munduruku na defesa do território contra os grandes empreendimentos. Foi um momento aberto ao público da cidade de San Cristóbal, quando participaram organizações e outros movimentos que estão na mesma luta que a gente.

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Modevite

https://www.facebook.com/profile.php?id=100013527400413

Organización Sociedad Civil las Abejas de Acteal

http://acteal.blogspot.mx/

Zodevite

https://www.facebook.com/Pueblo-Zoque-Defensa-del-Territorio-385949995133840/?ref=br_rs

Universidad da Tierra de Chiapas – CIDECI

http://seminarioscideci.org/

Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de las Casas A.C.

https://frayba.org.mx

Centro Estatal de Lenguas, Arte y Literatura Indígenas – CELALI

http://www.mexicoescultura.com/recinto/67734/centro-estatal-de-lenguas-arte-y-literatura-indigenas-celali-.html

Cooperativa de Mulheres Indígenas Bordadoras de Flores

http://www.facebook.com/BordadorasDeFores

Livraria La Cosecha

https://www.facebook.com/lacosechalibreria/

Conselho Indígena de Governo

https://www.congresonacionalindigena.org/conselho-indigena-de-governo/

 

 

 

 

 

 

 

 

Nós Munduruku não aceitamos a Ferrovia do Grão (Ferrogrão)! No Tapajós não passará!

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Nós, caciques, lideranças, pajé, guerreiros e guerreiras do povo Munduruku do médio Tapajós, exigimos que a Agência Nacional de Transportes (ANTT) consulte nosso povo Munduruku e todos os povos indígenas e ribeirinhos que vão ser impactados pela Ferrovia do Grão (Ferrogrão) desde Sinop no Mato Grosso até Itaituba. Nós temos o direito de consulta prévia, livre e informada como garante a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do qual o brasil é signatário, mas o governo brasileiro insiste em não respeitar a própria legislação interna e internacional que criam e fazem parte. SAIBAM QUE NÓS VAMOS CONTINUAR LUTANDO POR NOSSOS DIREITOS ATÉ QUE SEJAM CUMPRIDOS!

O ministério Público Federal já recomendou à ANTT que as audiências fossem canceladas até que as consultas fossem realizadas e que se tenha dimensão dos impactos que isso vai causar para nós indígenas, para nossos companheiros de luta beiradeiros e para as unidades de conservação. Na Convenção 169 no artigo 6° diz:

“consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente”, bem como que “as consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”.

Nós não fomos consultados, os beiradeiros não foram consultados e nossos parentes de outros povos também não foram. São pelo menos 19 áreas indígenas durante todo o percurso da ferrovia que serão impactados e AUDIÊNCIA PÚBLICA NÃO É CONSULTA PRÉVIA, LIVRE E INFORMADA, não tentem nos enganar de que esse é o cumprimento da convenção 169, NÓS SABEMOS DOS NOSSOS DIREITOS!!! É para isso que nós temos nosso protocolo de consulta, é por isso que Montanha e mangabal e Pimental também tem o seu, lá nós falamos de como a consulta deve acontecer com nossos povos.

Nós não vamos mais aceitar que mais uma vez vocês Pariwat venham com esses projetos pensados por vocês e que querem impor para nosso povo, sem ser discutido, sem consultar e sem considerar os impactos no nosso modo de vida, em nossos territórios, nos nossos lugares sagrados e dos nossos parentes. Nossa floresta grita, o pajé sabe que ela está precisando de ajuda, mas vocês Pariwat não sabem o que é isso. Vocês só querem destruir, para construir empreendimentos que acabam com e a floresta, e para expandir o agronegócio na nossa região, acabando com nossas árvores e com nossa biodiversidade para colocar no lugar milhares de quilômetros de soja. NÓS NÃO VAMOS DEIXAR ISSO ACONTECER!!!

Nós Mulheres nos reunimos no nosso segundo encontro na aldeia Sawre Muybu, nós estamos vendo que os pariwats estão destruindo nossos rios, nossas florestas, e nós nos preocupamos com nossos filhos. Nós vamos lutar junto com nossos guerreiros, contra hidrelétrica, contra ferrovia, contra tudo que vier em nome da destruição!

SAWE!!!!!!!!!!!!!!!

Ibaorebu é quem sabe fazer as coisas e transforma o mundo!

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Quando um presidente da Funai que foi indicado por um presidente da República que é aliado dos barrageiros e do agronegócio e dos garimpeiros e mineradoras que querem tirar nossas terras, vem muitas vezes numa terra indígena repetir a mesma fala, é porque quer nos convencer de que a mentira virou verdade. Por isso só o que podemos fazer é lutar.

Nós comissão de alunos Formados pelo Ibaorebu não desanimamos da luta e juntos no Movimento Iperegayu denunciamos que esse governo do presidente já tem um ano e meio, mas parece que está a décadas no poder. Estamos vendo mais do que o sucateamento da Funai, estamos vendo a destruição de todos os nossos direitos.

O general presidente da Funai ainda não conseguiu mostrar nenhum avanço na demarcação das terras dos nosso parentes e nem uma proposta pra acabar com o garimpo dos pariwat em nosso território.

Nós nos reunimos em Jacareacanga e viemos aqui nessa reunião na aleia Katon, Exigir que o presidente da Funai assuma o compromisso junto ao povo Munduruku para a continuidade do ensino médio integrado Ibaorebu e que assine um termo de cooperação entre Funai e o IFPA  Campus de Marabá.

Que garanta apoio financeiro para realização da oficina do Ibaorebu na primeira semana de março 2018 na aldeia Sai-Cinza, que vai fazer a revisão, sistematização e publicação das pesquisas produzidos pelos alunos munduruku durante o curso Ibaorebu.

A Funai também deve garantir apoio financeiro para a comissão dos formados no Ibaorebu possa reunir com os Centros de Ensino Superior para discutir oferta de vagas de cursos superiores para nós munduruku, conforme planejamento e definido no encontro na aldeia Sai Cinza e apoio para realização do curso superior diferenciado respeitando as decisões dos alunos munduruku e o Protocolo de Consulta Munduruku.

Sem território não há educação por isso o  presidente da Funai deve dizer quando vai fazer a demarcação da terras do território DAJEKAP AP EIPI: Praia do Mangue, Praia do Índio, Sawreapompu, Sawrejaybu, Sawremuybu.

E como presidente da Funai deve trabalhar pela reconstrução da sede oficial da Funai em Itaituba aumentando os recursos humanos e da coordenação regional em   Itaituba e da coordenação técnica local (CTL) em  Jacareacanga.

Por fim exigimos a apuração das denuncias de que Funcionários da Funai estão envolvidos com garimpos Ilegais no território Munduruku.

 

Comissão de Alunos Formados pelo projeto de ensino médio Integrado Ibaorebu

Jacareacanga 25 de novembro de 2017

comissaoibaorebumdk@gmail.com

Sawe!

Carta ao Presidente da Funai

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Nós fizemos a primeira ocupação no dia 16 a 19 de julho de 2017 da Usina de São Manoel para defender Dekuka’a e Karobixexe que o governo (FUNAI, IBAMA, ICMBIO, IPHAN) as hidrelétricas São Manoel e Teles Pires sujaram e destruiram. Reunimos com o presidente da Funai, com os representantes das empresas e filmamos tudo e todos eles os Pariwat assinaram documento com compromissos com nosso povo.

O MPF do Mato Grosso acompanhou tudo. Uma audiência na Missão Cururu devia contar com a presença de todo mundo mas o presidente da Funai não apareceu e nem os representantes das empresas.

Nós fizemos uma outra ocupação e as empresas e o governo jogaram bomba na gente, bem na hora do nosso ritual. O Presidente da Funai não disse nada e ainda mandou funcionários seus que gostam de conversar com garimpeiros que estão destruindo o rio das Tropas no Alto Tapajós e no rio Jamaxim no médio Tapajós.

Agora o presidente da Funai vem dia 28 de novembro a Terra indígena Munduruku na aldeia Katõ usando desculpa de que vai discutir a situação da Funai. Não temos culpa da Funai não funcionar. Não queremos que venha pra cá  pra mentir mais uma vez.

O que vai falar o presidente da Funai¿ Vai pedir desculpas porque a Funai quer arrendar a terra dos indígenas¿ Nós munduruuku sabemos plantar e temos nossa criação, não precisamos de pariwat pra fazer isso.

O presidente da Funai vem pedir desculpas porque seus funcionários mesmo sabendo da existência de garimpo na  nossa terra, não fazem nada¿

O presidente da Funai vem pedir desculpas por não fazer nada¿ Nós entendemos que o presidente da Funai está no cargo por outros motivos e não pra defender os povos indígenas.

Nós do Movimento Iperegayu não acreditamos nesse presidente pariwat. Se o presidente quer vir ao nosso território mostre pra nós quantas terras indígenas foram demarcadas desde que ele entrou na Funai. Mostre quantos projetos que vão destruir o território dos povos indígenas foram enterrados desde que ele entrou.

A nossa pauta o presidente já conhece, mas vamos lembrar mais uma vez.

PAUTA DO MOVIMENTO IPEREGAYU

  • Demarcação da Terra Indígena Sawre Muybu no território Dajé Kapap Eipi
  • Investigação da contaminação por mercúrio nos rios do território munduruku.
  • Expulsão dos garimpeiros do território munduruku
  • Expulsão dos funcionários corruptos da Funai.
  • O pedido de desculpas das empresas e do governo ao povo munduruku por terem destruído nossos locais sagrados.
  • Prender o assassino do Adenilson Krixi que morreu na invasão da Policia Federal na aldeia Teles Pires.
  • A continuidade do nosso projeto de educação Ibaorebu
  • Essa é nossa pauta. Se o presidente não atender nossa pauta, não tem porque vir aqui.

 

Movimento Iperegayu

10 de Novembro de 2017

Força Nacional recebe munduruku com bombas em ação de defesa de território sagrado

Chegada no Canteiro
mobilização entrando no canteiro de obras da usina São Manoel (Foto: Juliana Pesqueira)
Xingu Vivo

Mato Grosso – Nesta sexta-feira, 13, cerca de 80 indígenas munduruku desembarcaram no canteiro de obras da hidrelétrica de  São Manoel (MT) depois de sete dias de viagem pelo rio Teles Pire, para exigir o cumprimento de acordos fechados – e não cumpridos – com as empresas responsáveis pela construção das usinas  São Manoel e Teles Pires, no Mato Grosso, firmados em julho passado. Os construtores das usinas  foram responsáveis pela destruição dos dois principais locais sagrados da nação munduruku (Dekuka´a, o Morro dos Macacos, e Karobixexe, as Sete Quedas do Teles Pires e morada da Mãe dos Peixes), além da profanação de mais de dez urnas funerárias.

Ao chegarem na área da hidrelétrica, os indígenas foram recebidos por um contingente da Força Nacional de Segurança, que chegou a disparar bombas de efeito moral contra o grupo munduruku, composto por homens, mulheres e crianças. A ação foi autorizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em atendimento a solicitação do Ministério de Minas e Energia (MME). Um interdito proibitório – ordem judicial que antecipadamente criminalizou três lideranças indígenas e impôs multa diária de R$ 5 mil caso ocorresse alguma ação no canteiro de obras de São Manuel (de responsabilidade da EDP Brasil, Furnas Centrais Elétricas e China Three Gorges Corporation) – havia sido expedida pelo juiz Marcel Queiróz Linhares, da Segunda Vara Federal de Sinop, no último dia 11. De acordo com a imprensa local, o embarque da tropa em Brasília foi acompanhado pelo secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz, e pelo diretor da Força Nacional, coronel Joviano Conceição Lima, ontem, em Brasília (DF).

Polícia lança bomba contra mobilização indígena
Bomba de efeito moral lançada pela Força Nacional

A principal reivindicação dos munduruku é um pedido formal de desculpas das construtoras das duas hidrelétricas pelos danos causados aos locais sagrados a às urnas funerárias. A demanda havia sido apresentada às usinas e ao governo federal em julho, quando ocorreu uma primeira ação na usina São Manoel. Na ocasião, foi acordada uma audiência pública para os dias 28 e 29 de setembro na aldeia Missão Cururu, no rio Cururu, em Jacareacanga, com presença prevista do Ministério Público Federal (MPF), presidência da Funai e representantes das empresas. Apenas o MPF compareceu. As empresas enviaram notificação dizendo que não se responsabilizariam pelos danos, o que motivou a nova mobilização indígena.  “Estamos voltando porque é uma determinação dos espíritos. Nós temos que agradá-los com nossos rituais, mas enquanto a empresa não assumir sua responsabilidade e não pedir desculpas, nem nós e nem eles não vamos sossegar. Então nós vamos para lá com a proteção dos nossos ancestrais”, explica um dos pajés do grupo.

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Força Nacional bloqueando a entrada do canteiro da usina São Manoel (foto: Fernanda Moreira)

Negociações

Além da Força nacional de Segurança, os munduruku foram recebidos por um oficial de Justiça que, com intermediação de um delegado da Polícia Federal, apresentou a ordem judicial que os impediu de entrar no canteiro de obras. Representando o governo, a diretora do Departamento de Participação e Diálogos Sociais da Presidência, Maria Thereza Ferreira Teixeira, afirmou que intermediaria o diálogo com a empresa e com o Governo, junto com um servidor da FUNAI de Colider.

Os Munduruku explicam que vieram visitar seus espíritos ancestrais, realizar seu ritual e cobrar das empresas o cumprimento dos acordos firmados na última ocupação de UHE de São Manoel. O grupo também se dispões a negociar com os diretores das empresas e presidentes da FUNAI, IBAMA, IPHAN . Os mediadores confirmaram a presença do diretor da Diretoria de Promoção de Desenvolvimento Sustentável da FUNAI para uma reunião no dia seguinte, em Alta Floresta, mas os Munduruku sustentaram que querem falar com as autoridades que têm poder de decisão, as instâncias máximas de cada entidade, para que assumam as responsabilidades pelo que fizeram com seus locais e entes sagrados.

Ainda na noite de sexta, ficou acordado que os munduruku seriam levados para uma segunda visita às urnas funerárias no Museu de Alta Floresta, após realização do ritual noturno em Dekoka’a, onde passaram a noite dormindo sobre o cascalho ao redor de fogueiras, na direção da antiga morada da mãe das caças.

No sábado, representantes da FUNAI de Brasília chegam a Alta Floresta e comunicaram a impossibilidade de reunião com a presidência dos órgãos federais nesta data, sugerindo uma nova agenda com a presidência da FUNAI em novembro. Neste domingo, 15, os munduruku decidiram visitar as urnas funerárias e discutir posteriormente novas definições.